"Estamos em guerra", diz Bush e prepara planos de ataque

"Estamos em guerra", proclamou o presidente George W. Bush, neste sábado, à nação americana. Esta mensagem foi transmitida em seu programa semanal de rádio, enquanto Bush se reunia com seus assessores de segurança no retiro presidencial de Camp David para começar a traçar os planos da guerra contra o terrorismo, tarefa que ele chamou, na quinta-feira, "de o principal foco" de sua administração. E, pela primeira vez, Bush também apontou como principal suspeito de planejar os atentados o milionário saudita Osama bin Laden. "Se ele acha que pode esconder-se dos EUA e de seus aliados, ele está solenemente equivocado", disse o presidente.Raro poderBush dispõe, para iniciar a missão que definirá sua presidência, de um poder que raros dos 42 ocupantes anteriores da Casa Branca tiveram. Na sexta-feira, uma nação traumatizada pela enormidade da catástrofe - apenas a batalha de Antietam, durante a guerra civil de 1860-1865, supera os mais de 5 mil mortos deixados pelos dois ataques da semana passada - viu seu Congresso aprovar com apenas um voto contrário, e sem debate, uma resolução autorizando o presidente a usar "toda a força necessária e apropriada" contra "os Estados, as organizações e as pessoas" que ajudaram e realizaram os ataques contra os dois alvos mais visíveis e simbólicos do poder econômico e militar dos EUA.Inversão de prioridades Por unanimidade, os parlamentares aprovaram também uma verba de US$ 40 bilhões - o dobro do que a Casa Branca solicitara - para a operação de resgaste de vítimas e a mobilização inicial de forças contra um inimigo invisível e de identidade incerta. A adoção da lei que colocou os US$ 40 bilhões à disposição do executivo - US$ 10 bilhões imediatamente, o restante a partir de 1º de outubro, quando começa o novo ano fiscal - ilustra a completa mudança de prioridades e de perspectiva que os ataques e suas tenebrosas conseqüências provocaram nos Estados Unidos e - por causa peso econômico, político e militar do país - no cenário mundial.Advertência Mas, em meio à impressionante irrupção de patriotismo numa nação ultrajada e profundamente ferida por um ato de indescritível violência, levantaram-se vozes para advertir Bush e o país sobre os riscos da longa e penosa batalha à frente. O reverendo Nathan D. Baxter, da catedral nacional de Washington, que foi um dos celebrantes do culto ecumênico realizado na sexta-feira, em memória das vítimas, advertiu o presidente e os líderes políticos e militares que assistiram à cerimônia para o perigo de, na luta contra o terrorismo, "nós nos transformarmos naquilo que combatemos e deploramos".Perigo de precipitação Estudiosos do terrorismo internacional chamaram atenção neste sábado para o perigo que Bush e o país correm de deixar-se guiar pelo desejo de vingança, reagir de maneira precipitada e acabar fazendo o jogo do inimigo."O desejo de vingança é perfeitamente comprensível", escreveu Jessica Stern, que dá um curso sobre terrorismo na Universidade Harvard. "Somos uma nação traumatizada. Mas revidar rapidamente é muito menos importante do que desencorajar ações futuras de nossos inimigos - e as duas coisas não são o mesmo". Stern alertou que "os Estados Unidos não podem dar-se ao luxo de permitir que o desejo emocional de um revide rápido supere os interesses de segurança nacional de longo prazo".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.