'Estamos em um momento perigoso'

Segundo o chanceler, Kiev está cumprindo a trégua, mas a questão agoraé a influência russasobre os separatistas

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / KIEV, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2014 | 02h01

O acordo de cessar-fogo na Ucrânia foi "rompido" pelos russos. O alerta é do chanceler ucraniano, Pavlo Klimkin, que admite que, a partir de agora, a região vive um momento "muito perigoso". Ontem, a trégua assinada no dia 5 de setembro recebeu mais um golpe. Um funcionário suíço da Cruz Vermelha foi morto quando uma bomba caiu perto do escritório da entidade em Donetsk.

O governo ucraniano e os rebeldes acusaram-se mutuamente pelo ataque. A preocupação imediata do diplomata é garantir que o país volte a controlar seu território. Leia trechos da entrevista que concedeu ao Estado.

O inverno está chegando. Haverá gás no país e na Europa?

Nosso compromisso político é de ser um local confiável de trânsito. Em 2006 e 2009, já tivemos esse problema. Mas não é a Ucrânia que deve ser acusada. Estamos prontos a negociar. O importante é ter um preço de mercado e garantias claras de que o preço será mantido. Não seremos nós que vamos impedir um acordo.

Vimos uma série de mortes e ataques desde o anúncio do cessar-fogo. Como o sr. avalia a situação hoje?

Se você analisar a situação, tivemos ao menos 15 violações do cessar-fogo. Não podemos mais falar em sucesso real, nem em um cessar-fogo sustentável. Estamos em um momento perigoso. Houve uma série de ataques na quarta-feira e com mortes de militares ucranianos. Nossas tropas estão seguindo o acordo. Posso confirmar que o aeroporto de Donetsk está sob ataque. Foi quebrado o cessar-fogo. Não apenas na retirada de armas pesadas da zona negociada, mas também pelos ataques.

O que vai acontecer agora?

Precisamos ter um cessar-fogo como precondição para qualquer outra coisa. Mas a questão não é mais sobre nós. Estamos cumprindo. A questão agora é a influência russa sobre os separatistas.

O Brasil se absteve na resolução da ONU sobre a Crimeia. Como isso tem afetado a relação entre Kiev e Brasília?

Valorizamos a relação com o Brasil. É um ator estratégico. Não é só política e economia. Temos uma série de projetos e apostamos que a tecnologia espacial conjunta tenha a capacidade de suprir nossas ambições. Vamos seguir com o processo em Alcântara (cooperação no setor de satélites) e, no futuro, o primeiro lançamento será muito simbólico. Estamos também conversando sobre a possibilidade de um acordo com o Mercosul. Já a posição do Brasil é muito clara e o País defende nossa soberania.

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