‘Estamos ofendidos e magoados’, afirma porta-voz de Israel

Funcionário da chancelaria que qualificou Brasil de ‘anão diplomático’ e ‘parceiro irrelevante’ explica declarações ao 'Estado'

Entrevista com

Yigal Palmor

Viviane Vaz,  Especial para o Estado / Bruxelas, Especial Para o Estado / Bruxelas - O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2014 | 21h44

BRUXELAS - Yigal Palmor, porta voz da chancelaria de Israel, irritou o Itamaraty ao qualificar o Brasil como “anão diplomático” e “parceiro diplomático irrelevante”. Um dia depois, por e-mail, ele concedeu entrevista ao Estado.

O sr. não foi o primeiro a utilizar a expressão “anão diplomático” para a política externa brasileira. Há dois anos o ex-chanceler do México Jorge Castañeda cunhou o termo ao criticar o Brasil por não defender a democracia na Venezuela. Por que você escolheu usar o mesmo termo desta vez?

O que eu queria transmitir é a sensação entre os israelenses de que um país que todos nós amamos e de quem temos grandes expectativas agora nos traiu. Todos os países amigos estão mostrando solidariedade a Israel nas últimas semanas, desde que o Hamas começou a disparar foguetes em Israel. Alguns embaixadores - França, Grã-Bretanha, etc. - estão fazendo visitas de solidariedade às comunidades fortemente atingidas por projéteis. E o que o Brasil faz? Chama seu embaixador. Do Brasil a gente sempre espera mais - porque é um grande país, e como eu disse: é um gigante econômico e cultural, que é enormemente apreciado em Israel. Mas no campo diplomático fez um movimento que, infelizmente, marginaliza a sua influência diplomática na região e o envia para a margem da diplomacia. Lamentamos que, como eu disse, o Brasil poderia fazer mais, diplomaticamente, e nós naturalmente esperamos que o país faça mais. Mas quando o Brasil nos vira as costas em nosso momento difícil, quando estamos sob um ataque de foguetes tão intensivo, é extremamente decepcionante. Estamos ofendidos e magoados. 

Por que o sr. considera que os meios de comunicação internacionais - e brasileiros costumam definir as ações israelenses como “desproporcionais”?

Acho que você vai encontrar alguns meios de comunicação muito respeitáveis que não chamam as ações de Israel de desproporcionais, porque entendem a natureza da situação que estamos enfrentando e entendem de Direito Internacional. 

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), Roni Kaplan, afirmou que o país é forçado pelo Hamas a continuar atacando a Faixa de Gaza, já que os palestinos não aceitam um cessar-fogo. O senhor concorda com este ponto de vista?

Nós aceitamos o plano de cessar-fogo egípcio e o aplicamos. Depois de algumas horas, o Hamas intensificou seus ataques e ficamos sem escolha a não ser retomar os ataques. Nós aceitamos duas tréguas humanitárias e que não foram respeitadas pelo Hamas. No momento estamos discutindo com o Egito e com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, outro plano. Continuamos intensivas negociações com os nossos parceiros para encontrar uma maneira de implementar um cessar-fogo de longo prazo e continuamos a apoiar o plano egípcio, que tem grande apoio internacional. Este é um plano que esperamos que todos os nossos amigos - incluindo o Brasil - apoiem.

A nota diplomática original do governo brasileiro criticou Israel por atos desproporcionais, mas também chamou as partes para um cessar-fogo imediato. O Brasil poderia ter sido mais direto nesse pedido?

O pedido de cessar-fogo é um ponto de vista que compartilhamos totalmente. Obviamente, há trabalho a ser feito e simples declarações e chamadas de longe não são suficientes. Como mencionei, já aceitamos várias tréguas. O esforço diplomático para garantir um plano viável continua e o Brasil poderia ter feito uma contribuição, se quisesse. Agora que o Itamaraty retirou seu embaixador, não vai ser capaz de desempenhar um papel diplomático - e, na verdade, não sei se o Brasil queria atuar dessa maneira.

Como o sr. acha que o Brasil pode contribuir para a existência de Israel e sua aceitação por parte de seus vizinhos árabes?

Acredito que o Brasil possa ter um papel fundamental na promoção da reconciliação e reaproximação entre israelenses e palestinos. Há muitas opções para fomentar atividades de pessoa a pessoa que promovam compreensão e cooperação. Esperemos que, com movimentos audaciosos para a paz, o Brasil possa se tornar em nossa região o gigante diplomático que merece ser.

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