Jim Lo Scalzo/EFE
Jim Lo Scalzo/EFE

'Estamos preparados para a Ômicron, não é como em março de 2020', diz Biden

Governo dos Estados Unidos anuncia distribuição de 500 milhões de testes gratuitos de covid-19 e mobilização de pessoal médico militar se necessário diante do avanço da variante Ômicron

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2021 | 18h21

WASHINGTON - Enfrentando um aumento alarmante de casos de coronavírus que ameaça sobrecarregar o sistema hospitalar do país, o presidente americano, Joe Biden, intensificou novamente a resposta de seu governo à pandemia nesta terça-feira, 21, e tentou tranquilizar uma nação ansiosa, dizendo aos americanos que todos devem se preocupar com a variante Ômicron, mas não entrar em pânico. 

"Duzentos milhões de pessoas estão completamente vacinadas. Estamos preparados, sabemos mais. Só temos de continuar focados. Isso não é março de 2020", disse o presidente, em discurso transmitido pela televisão, pedindo também que os americanos se vacinem. 

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira, 21, que distribuirá 500 milhões de testes gratuitos de covid-19 e mobilizará o pessoal médico militar se necessário diante do avanço da variante Ômicron, que levou diversos governos a retomarem as restrições antes das festas de fim de ano. Washington também informou que doará US$ 580 milhões adicionais a organizações internacionais para combater a pandemia em vários países.

O anúncio foi feito depois que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano informou que 73,2% dos novos casos registrados no país na semana passada correspondiam à variante Ômicron

Biden utilizou o Twitter na noite de segunda-feira para encorajar as pessoas a se vacinarem e a adotar medidas de segurança, como o uso de máscaras, alertando que os casos estão aumentando.

Os 500 milhões de testes que o governo pretende adquirir só estarão disponíveis em janeiro, afirmaram as autoridades, acrescentando que o governo pretende criar um site onde as pessoas possam solicitar o envio gratuito para suas casas.

Biden concorreu ao cargo com a promessa de conter a pandemia e agora é confrontado com um vírus que muda de forma e está ceifando mais de mil vidas americanas todos os dias e se espalhando com velocidade impressionante. Ele enfrenta também um clima político divisivo no qual muitos americanos, principalmente partidários do ex-presidente Donald Trump, se recusaram a ser vacinados.

Em seus comentários, Biden observou que Trump disse recentemente que havia recebido uma injeção de reforço e que “graças à administração anterior e à comunidade científica, a América é um dos primeiros países a receber a vacina”.

Para intensificar a vacinação tanto das doses de reforço quanto das aplicações em crianças, novos postos foram abertos, totalizando 90 mil em todo o país. "Levem as crianças para serem vacinadas", apelou o presidente dos Estados Unidos aos pais, pedindo, ainda, que não se deixem levar pela onda de desinformação nas redes sociais.

Segundo ele, empresas e personalidades estam “ganhando dinheiro vendendo mentiras e permitindo desinformação que pode matar seus próprios clientes e seus próprios apoiadores”.

As escolas, de acordo com Biden, continuarão abertas, o que sinaliza que um lockdown como visto no passado não está nos planos do governo. Todos os adultos que trabalham nas escolas americanas deverão estar vacinados, segundo o presidente americano.

Embora Biden reconhecesse que o vírus estava infectando algumas pessoas vacinadas, ele instou os americanos não vacinados a tomarem suas vacinas e as pessoas vacinadas a receberem reforços se forem elegíveis, dizendo que os não vacinados têm "um risco significativamente maior de acabar no hospital - ou mesmo morrendo".

Alguns especialistas em doenças infecciosas dizem que simplesmente não é possível impedir a propagação da variante Ômicron e que a administração deve se concentrar em desacelerá-la, protegendo os mais vulneráveis ​​e evitando que os sistemas hospitalares já lotados sejam sobrecarregados.

“O objetivo principal, na verdade, é evitar que as pessoas fique doentes e sobrecarreguem os hospitais, adiando o tratamento do câncer e as cirurgias para as pessoas que precisam, adiando o esgotamento dos profissionais de saúde”, disse Lu Borio, ex-cientista-chefe interino da FDA./NYT, AFP e AP 

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