''Estamos prontos para a operação''

Cruz Vermelha diz que está em contato com as Farc, mas a guerrilha ainda não autorizou libertação de Ingrid

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2008 | 00h00

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) afirmou ontem que está pronto para participar de uma missão humanitária para resgatar Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência da Colômbia, seqüestrada há cinco anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). De acordo com o CICV, os contatos com o governo francês são constantes, mas o grupo afirma que, até agora, a guerrilha não deu um sinal verde para a missão. Acompanhe a cobertura do caso Ingrid Betancourt"Estamos em contato confidencial com as Farc, em todos os seus níveis hierárquicos, por vários canais. Até agora, porém, não temos nenhum pedido por parte da guerrilha para realizarmos uma missão humanitária para libertá-la", afirmou Yves Heller, porta-voz do CICV para a Colômbia, que garantiu que os contatos continuarão. Segundo Heller, o CICV está recebendo constantemente informações a respeito da missão humanitária que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, decidiu enviar à Colômbia para tentar libertar Ingrid. "Estamos preparados. Temos experiência nisso. Só este ano participamos da liberação de 14 reféns, além de outros 24 em 2007", afirmou.O porta-voz da Cruz Vermelha disse que está "muito preocupado" com a situação da refém. De acordo com ele, o CICV está "profundamente incomodado" e considera a situação "extremamente grave". "Este ano, nós pedimos às Farc acesso aos reféns, mas não tivemos resposta", disse. Ele conta que há muito tempo o CICV não tem acesso aos reféns na Colômbia e diz que prefere não especular sobre o estado de saúde de Ingrid. "Nossa avaliação é de que toda a informação sobre Ingrid deve ser tratada com muita cautela. Não temos nada de concreto sobre seu estado de saúde."A respeito da situação na Colômbia, o CICV lamenta o grande número de pessoas obrigadas a abandonar suas casas em razão da violência. De acordo com a Cruz Vermelha, nos últimos 15 anos, entre 2 milhões e 3,5 milhões de pessoas passaram por essa situação. "A maioria nunca voltou para casa", disse Heller, que estima que mais da metade desses refugiados são crianças.Desde 1997, a entidade já prestou assistência a cerca de 1 milhão de pessoas. A Cruz Vermelha calcula que o número de refugiados colombianos tenha aumentado 6% em 2007. No ano passado, a organização registrou denúncias de 379 desaparecimentos, 345 execuções sumárias e 57 estupros relacionados ao conflito.

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