Andrés Cristaldo/Efe
Andrés Cristaldo/Efe

'Estamos unidos por Itaipu', diz presidente paraguaio sobre o Brasil

A jornalistas sul-americanos, Federico Franco disse que pretende enfrentar isolamento 'com ações, e não palavras'

Roberto Simon, enviado especial a Assunção,

26 de junho de 2012 | 16h07

ASSUNÇÃO - Em seu quarto dia no Palacio de los López, sede da presidência do Paraguai, o político liberal Federico Franco afirmou nesta terça-feira, 26, que pretende enfrentar o isolamento regional de Assunção "com ações, e não palavras" e disse que teve de assumir a presidência para evitar o risco de uma "guerra civil".

 

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A dois dias da reunião do Mercosul na Argentina - da qual o Paraguai foi suspenso -, Franco recebeu em seu gabinete um grupo de jornalistas sul-americanos, incluindo o do Estado. "Mandem a mensagem de que está tudo normal por aqui", insistiu três vezes. Leia trechos da entrevista a seguir.

 

Estado: Por que o presidente Lugo foi removido num processo tão rápido?

 

Federico Franco: Foi uma decisão do Congresso, em um julgamento político - e não convencional. Nesse dispositivo, a Câmara dos deputados se converte na entidade acusadora e o Senado, em tribunal. O prazo é estabelecido pelo próprio Congresso, com um regulamento próprio, e eu não formo parte desse poder.

 

Estado: Mas o sr. considera que Lugo teve um julgamento justo?

 

Federico Franco: Se não considerasse, eu não estaria aqui. Foi justo? Pedi publicamente que garantissem (a Lugo) o maior tempo e espaço para se defender. Mas os parlamentares decidiram assim para que não fosse derramada mais uma só gota de sangue em nosso país. Uma semana antes (da destituição), havíamos enterrado 17 paraguaios.

 

Estado: Qual mensagem o sr. envia ao Mercosul, que se reúne esta semana na Argentina?

 

Federico Franco: O Paraguai foi um país que sempre teve boas relações com os vizinhos. Somos o menor país da região e, além disso, somos mediterrâneos. Precisamos de nossos vizinhos. Meu primeiro desafio é manter calma a casa, equilibrar as coisas. Evidentemente que aqui estamos passando por uma situação sui generis, eu reconheço isso. Mas, por meio dos contatos entre nossas chancelarias, queremos manter boas relações. É essa nossa vocação.

 

Estado: O Brasil tem um peso especial nesse sentido?

 

Federico Franco: Com o Brasil, estamos unidos por Itaipu. Grande parte da energia que chega a São Paulo vem de nossa usina binacional. Não há motivo para ter más relações. Acabam de sair (do gabinete) representantes dos brasiguaios, cerca de 450 mil pessoas vivendo aqui. Por unanimidade, vieram dar o apoio ao nosso governo. A Igreja Católica também deu seu apoio de forma contundente, além do Tribunal de Justiça Eleitoral e a Corte Suprema de Justiça.

 

Apenas 1 dos 80 deputados votou a favor do presidente Lugo e 4 dos 45 senadores. Ou seja: não estamos falando de algo que violou o direito e a Constituição. Agora, meu compromisso e minha obrigação são os de manter equilibrado o país.

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