Estancados esforços para soltar reféns das Farc

Guerrilha rejeita diálogo em Caracas e Uribe recusa pedido de Chávez para desmilitarizar cidade

Reuters e AP, Bogotá, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2017 | 00h00

Os esforços para libertar dezenas de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estancaram-se no fim de semana em meio a sinais contraditórios do grupo. O líder da guerrilha esquerdista, Manuel Marulanda, disse que não participará de conversações fora da Colômbia para uma troca de prisioneiros, rejeitando a proposta de um encontro na Venezuela. No entanto, em uma mensagem gravada ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, o porta-voz das Farc, Raúl Reyes, propõe uma reunião em 8 de outubro para falar de um acordo humanitário em um local não especificado. As imagens, gravadas na sexta-feira e obtidas pela TV Associated Press, mostram Reyes na selva do sul da Colômbia ao lado da senadora Piedad Córdoba, autorizada pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, a facilitar um encontro entre Chávez e as Farc.No sábado, Chávez pediu ao presidente colombiano, o conservador Álvaro Uribe, que desmilitarizasse San Vicente del Caguán, no sul da Colômbia, para que as conversações fossem realizadas lá, mas a idéia foi imediatamente rejeitada.San Vicente del Caguán foi o centro de uma zona que o então presidente colombiano Andrés Pastrana desmilitarizou em 1999 com o objetivo de manter conversações de paz com as Farc. O diálogo fracassou após Pastrana descobrir que a área era usada pelas Farc para atacar povoados vizinhos, manter reféns, treinar rebeldes e traficar armas e drogas.O novo impasse deixa no limbo a libertação da senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002 pelas Farc, assim como de outros reféns. O presidente francês, Nicolas Sarkozy está disposto a viajar para a Colômbia para ajudar a obter a libertação de Ingrid e dos outros reféns, disse ontem seu porta-voz, David Martinon. Questionado sobre o comentário de Chávez, segundo o qual Sarkozy propôs que os dois líderes fossem à Colômbia, Martinon acrescentou: "Se isso for necessário, acho que ele não hesitará."

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