Lee Jin-man/AP
Lee Jin-man/AP

Estatais chinesas dizem que reforma deve significar mais crescimento

Defesa acompanha discurso do presidente Hu Jintao de mais investimentos nas empresas governamentais

Reuters

09 de novembro de 2012 | 09h14

PEQUIM - Grandes estatais chinesas defenderam nesta sexta-feira, 9, a continuidade da expansão econômica do país, ecoando declarações do presidente Hu Jintao em defesa de mais investimentos nas empresas governamentais e contrariando as esperanças de reformas no inchado setor. O segundo dia do 18º Congresso do Partido Comunista foi dedicado a debates públicos sobre o discurso de Hu, proferido durante duas horas na véspera.

Os delegados liam os trechos que mais haviam lhe agradado e os repórteres da Reuters não escutaram ninguém discordando do presidente. Hu salientou na quinta-feira a importância de se manter o regime unipartidário, e alertou para os riscos da corrupção, uma referência ao escândalo que interrompeu a promissora carreira política do ex-dirigente partidário Bo Xilai.

O presidente se prepara para deixar o poder e sugeriu um fortalecimento do papel do Estado em setores estratégicos, com a possibilidade de mais concorrência em outros setores. "A direção da reforma das empresas estatais deveria ser: as estatais precisam ser mais orientadas para o mercado, e precisam continuar fortalecendo sua vitalidade e influência", disse a jornalistas Wang Yong, chefe de uma comissão encarregada de supervisionar e gerir patrimônio público.

"Os acadêmicos podem ter visões diferentes, mas essa é a necessidade de desenvolvimento das empresas e do Estado", acrescentou. Hu disse na quinta-feira que Pequim deve "sem hesitação consolidar e desenvolver o setor público da economia" e "investir mais capital estatal" em setores estratégicos para a economia e a segurança nacional.

Empresas estatais e suas afiliadas respondem por mais de metade do PIB e dos empregos na China, segunda maior economia do mundo. Elas incluem a Rede Estatal de distribuição elétrica (sétima maior empresa do mundo) e as gigantes petrolíferas Sinopec e CNPC, quinta e sexta maiores, respectivamente.

Das 70 empresas da China continental que apareceram em 2012 na lista Fortune Global 500, 65 são estatais. Reformistas chineses e governos estatais dizem que seu tamanho e seu domínio sobre o mercado prejudicam a economia, por gerarem desperdício e oportunidades de corrupção, levando a custos maiores para os consumidores.

O congresso partidário comunista define a nova cúpula de poder na China, numa sucessão que ocorre uma vez a cada década. O vice-presidente Xi Jinping deve assumir o cargo de secretário-geral do partido, para se tornar presidente do país em março.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.