REUTERS/Bobby Yip
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Estatal chinesa abre disputa comercial nos EUA contra petroleira venezuelana

Filial da Sinopec cobra mais de US$ 23 milhões da PDVSA pela venda de 45 mil toneladas de hastes de aço; porta-voz do governo chinês diz que 'não devem ser feitas interpretações exageradas' e elogia relação Caracas-Pequim

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 14h13

CARACAS - Um dos maiores conglomerados estatais da China abriu uma demanda em um tribunal nos Estados Unidos contra a petroleira estatal venezuelana PDVSA por falta de pagamento, dando indícios da crescente falta de paciência de Pequim com seu aliado sul-americano afligido por uma profunda crise econômica.

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Na demanda, iniciada em 27 de novembro em uma corte federal de Houston, no Texas, a subsidiária da Sinopec nos EUA cobra mais de US$ 23 milhões em danos por parte da PDVSA. A Sinopec alega que nunca recebeu o pagamento total pelas 45.000 toneladas de hastes de aço que entregou em 2013.

Ainda que de pequena escala, a contestação diz que a PDVSA, através de sua filial nos EUA Bariven, deixou de cumprir repetidas promessas de honrar sua dívida com a Sinopec e, em determinado momento, causou perdas de US$ 2 milhões para a empresa chinesa depois de entrar em um processo de arbitragem com um fornecedor que concordou em comprar o aço para o contrato com a entidade venezuelana.

"Este é simplesmente um caso de uma promessa de pagamento quebrada", diz a Sinopec nos documentos judiciais, acusando a PDVSA de "mentir e enganar deliberadamente" em sua recusa em pagar suas contas. "Este caso envolve uma transação comercial complexa calculada especificamente para deixar Sinopec sem seu pagamento."

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Apesar de "empregar um tom mais diplomático em sua demanda", a empresa chinesa está claramente irritada, afirmou Russ Dallen, responsável pela corretora local Caracas Capital, em um relatório na quarta-feira em que revelou a existência do processo.

Atualmente, a Venezuela busca um novo financiamento para conseguir honrar sua enorme divida externa, da qual já atrasou parte dos pagamentos. A China tornou-se um dos maiores credores da Venezuela, país para o qual forneceu empréstimos, dinheiro vivo e fez investimentos no valor de mais de US$ 65bilhões entre 2007 e 2016, de acordo com uma base de dados mantida pela Universidade de Boston e pelo centro dos estudos do Diálogo Interamericano. 

Mas, por enquanto, Pequim não veio ao resgate do presidente Nicolás Maduro, que está tentando proteger seu país de uma inflação de três dígitos, de um rápido declínio na produção de petróleo bruto e das sanções financeiras impostas pelo governo Donald Trump.

Um porta-voz do Grupo Sinopec, com sede em Pequim, confirmou que uma filial americana de uma empresa de propriedade da Sinopec apresentou uma demanda contra a PDVSA por "uma disputa por um pagamento de uma dívida".

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"Como uma grande empresa, para nós é normal ter uma disputa comercial deste tipo e é normal recorrer à lei se há uma disputa", indicou, por telefone, o porta-voz da Sinopec, Lu Dapeng.

Geng Shuang, porta-voz do Ministério chinês de Relações Exteriores, afirmou que a questão não é nada mais do que uma disputa comercial em andamento, mas que a China segue disposta a cooperar com a Venezuela de forma igualitária e mutuamente benéfica.

"Acredito que esta é uma disputa comercial comum e não devem ser feitas interpretações exageradas sobre ela", afirmou Genge. "Quero relembrar que a China dá uma grande importância ao desenvolvimento das relações entre China e Venezuela." / AP

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