REUTERS/Andres Martinez Casares
REUTERS/Andres Martinez Casares

Estatal venezuelana PDVSA paga dívida de US$ 842 milhões e evita default

Empresa diz que tem 'solvência' para honrar seus empréstimos apesar das sanções dos EUA; considerando a dívida soberana do país e a da PDVSA, Venezuela deve pagar US$ 1,63 bi em outubro, US$ 1,89 bi em novembro e US$ 242,5 milhões em dezembro

O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 13h29

CARACAS - A petroleira estatal venezuelana PDVSA informou nesta sexta-feira, 27, que honrará o pagamento de US$ 841,88 milhões para amortizar parcialmente os bônus de uma dívida com vencimento em 2020.

Maduro consegue renegociar dívida com a Rússia

"Apesar das ilegais e ilegítimas sanções e da aberta atitude hostil de bloqueio financeiro, a PDVSA informa que já iniciou as transferências bancárias correspondentes ao pagamento principal do bônus PDVSA 2020 num valor total de US$ 841,88 milhões para as contas do banco J.P. Morgan", disse a estatal em comunicado.

Ainda de acordo com o texto, a Venezuela destaque que tem "solvência plena" para honrar seus compromissos da dívida mesmo com a "imposição sem justificativa de sanções" por parte do governo dos Estados Unidos.

"A Venezuela tem honrado de forma constante suas obrigações e, desta forma, desmente as vozes daqueles que apostam na ruína econômica do país e atacam o povo venezuelano, em complô com a oligarquia econômica mundial, com a intenção de desestabilizar e tentar sabotar os avanços econômicos do governo bolivariano", completa o texto.

Em razão do endividamento e da dificuldade da PDVSA e de Caracas em se capitalizar, o mercado aguardava com ansiedade para saber se a Venezuela cairia ou não em default. Em relação a estes bônus, que não dispõem de período de carência, Caracas deverá nos próximos 30 dias pagar um valor de US$ 143,22 milhões referentes ao juros do empréstimo.

Este não é, porém, o único empréstimo do país com vencimento próximo. Já na próxima quinta-feira, 2, o governo de Nicolás Maduro deverá desembolsar ao menos US$ 1,12 bilhão de outra dívida com vencimento nesta data - de um valor total de US$ 1,16 bilhão.

Se a empresa deixar de cumprir algum destes prazos cairá automaticamente em inadimplência, complicando ainda mais sua já combalida economia. Segundo a Bloomberg, neste cenário a probabilidade de que a PDVSA entre em default já em 2018 subiu para 79%. Considerando os próximos cinco anos, a possibilidade de que a estatal não consiga honrar suas dívidas é de 99%.

Ao todo, considerando a dívida soberana do país e a da PDVSA, a Venezuela deve pagar US$ 1,63 bilhão em outubro, US$ 1,89 bilhão em novembro e US$ 242,5 milhões em dezembro, indicam cálculos da empresa Aristimuño Herrera & Asociados.

Entre 12 e 21 de outubro, o país deveria ter quitado os juros de vários empréstimos com período de carência dos quais, segundo consultoras particulares, apenas US$ 41,21 milhões dos bônus PDVSA 2037 foram honrados.

Atualmente, as reservas internacionais da Venezuela estão em US$ 10,08 bilhões, o nível mais baixo em duas décadas.

Russell Dallen, do banco de investimentos Caracas Capital Markets, disse que o problema mais grave não é um eventual default da Venezuela, mas sim as consequências dessa opção no país. "O mercado sobreviverá. Mas se a Venezuela entrar em default e não puder atrair investimentos futuros, não conseguirá aumentar sua produção de petróleo. Isso é o que realmente importa", indicou.

A produção petrolífera do país - que tem as maiores reservas conhecidas da commodity no mundo - caiu 22,9% desde 2008 para 1,9 milhão de barris diários, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.