Mads Claus Rasmussen / Ritzau Scanpix / AFP
Mads Claus Rasmussen / Ritzau Scanpix / AFP

Estátua da Pequena Sereia é pichada com frase 'peixe racista'

Personagem de Hans Christian Andersen esteve no centro do debate antirracista quando atriz negra foi escolhida para viver Ariel em live action da Disney

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2020 | 12h52
Atualizado 03 de julho de 2020 | 19h29

COPENHAGUE - Uma estátua de bronze em homenagem à Pequena Sereia foi vandalizada nesta sexta-feira, 3, com as palavras "peixe racista" na capital da Dinamarca, Copenhague. O monumento é uma homenagem à personagem criada pelo escritor Hans Christian Andersen que está colocada em uma pedra à beira mar. 

A escultura de 107 anos, que anualmente é visitada por um milhão de turistas, já foi pichada antes, por ativistas pró-democracia e por ambientalistas contrários à pesca de baleias, que é legal no país. A Pequena Sereia também já foi decapitada duas vezes. “Consideramos a pichação um vandalismo e vamos investigar”, afirmou um porta-voz da polícia local.

A personagem de Hans Christian Andersen não esteve dentro do debate antirracista, mas as versões da Disney para a história da Pequena Sereia sim. No ano passado, quando a empresa de entretenimento americana anunciou que faria um live action do desenho animado de 1989 e que Halle Bailey interpretaria a protagonista Ariel, a atriz negra recebeu uma quantidade enorme de mensagens racistas e preconceituosas.

A própria Disney foi criticada por colocar uma negra no lugar de uma "personagem dinamarquesa, que deveria ser branca e ter cabelos ruivos". Na época, a empresa divulgou um comunicado afirmando que "as sereias dinamarquesas podem ser negras porque os dinamarqueses podem ser negros".

Somente em 1992 a Disney apresentou sua primeira princesa não caucasiana, Jasmine, de origem árabe, no desenho animado Aladim. Depois vieram Pocahontas, a primeira indígena, em 1995; Esmeralda (cigana, 1996); Mulan (asiática, 1998); Tiana (afro-americana, 2009); Valente (ruiva e com cabelos crespos, 2012); e Elena (latina, 2016). 

“Estou tendo dificuldades para ver o que é particularmente racista no conto de fadas A Pequena Sereia”, disse Ane Grum-Schwensen, pesquisadora do Centro H.C. Andersen da Universidade do Sul da Dinamarca, ao canal de notícias local Ritzau.

Andersen nunca foi apontado como um autor de obras racistas, embora tenha abordado o colonialismo e questões raciais em uma peça de 1840 chamada Mulatto. Mas alguns estudiosos sustentam que há implicações racistas em algumas histórias dele.

Desde o começo dos atos contra o morte de George Floyd, um negro morto em 29 de maio por um policial branco que manteve o joelho sobre pescoço dele por mais de 8 minutos, em Minneapolis, EUA, manifestantes por toda a Europa começaram a atacar monumentos históricos que faziam homenagem a escravocratas. 

A onda começou em Bristol, no Reino Unido, quando manifestantes derrubaram uma estátua de Edward Colston, um traficante de escravos do século 17, que foi homenageado com o monumento em 1865. Os ativistas amarraram uma corda na estátua e a arrastaram até o Rio Avon, onde ela foi atirada. / REUTERS e AFP

 

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