Estátua paga pela China divide cidade natal de Marx

Estátua paga pela China divide cidade natal de Marx

Trier decidiu aceitar a obra em comemoração ao 200º aniversário do fundador do comunismo após debate sobre se o recebimento indicaria um apoio à ideologia estatal chinesa e a seus abusos

O Estado de S.Paulo

15 de março de 2017 | 05h00

BERLIM  - A cidade alemã de Trier decidiu aceitar uma estátua gigantesca de Karl Marx da China em comemoração ao 200.º aniversário de nascimento do pai fundador do comunismo em 2018, apesar de algumas insinuações de que o gesto envia um sinal ruim a Pequim com relação a seu histórico de direitos humanos.

Um debate sobre a estátua de Marx, que aparece de cabeça erguida e segurando um livro em uma mão, dividiu os moradores de Trier, situada perto da fronteira com Luxemburgo. Seus apoiadores a veem como uma conquista bem-vinda para o berço do filósofo.

"Isso diz respeito claramente a nós apoiarmos a ideologia estatal chinesa, que é responsável por abusos de direitos humanos, e não podemos permitir isso em nossa sociedade livre", disse o democrata local Tobias Schneider à rádio Deutschlandfunk.

Na segunda-feira o conselho da cidade aprovou a aceitação do monumento por um placar de 42 votos a favor e 7 contra.

"A decisão, porém, não estipula o tamanho da escultura ou onde será colocada", disse o conselho em um comunicado.

O artista chinês Wu Weishan sugeriu que a estátua tenha 4,9 metros de altura e seja instalada em cima de um pedestal de 1,4 metro em Porta Nigra, o ponto turístico mais famoso da localidade e um dos maiores e mais bem preservados portões romanos ao norte dos Alpes.

Um modelo da estátua foi posto em exibição durante dois dias no início de março. O conselho disse que conversará com o artista e com o consulado chinês em Frankfurt para decidir quem arcará com os cerca de 70 mil euros necessários para o pedestal. / REUTERS

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