John Sibley/Reuters
John Sibley/Reuters

Em meio a atos antirracistas, Reino Unido e Bélgica removem estátuas ligadas a passado imperial

Depois da derrubada da estátua de Edward Colston, em Bristol, a estátua de outro comerciante de escravos foi removida da frente de museu em Londres; na Antuérpia, imagem vandalizada de Leopoldo II é removida

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2020 | 16h48
Atualizado 26 de junho de 2020 | 09h58

LONDRES - Em meio aos protestos contra o racismo e sob o lema Black Lives Matter que ganharam o mundo após tomar as ruas dos Estados Unidos, a Bélgica e o Reino Unido decidiram remover nesta terça-feira, 9, algumas de suas estátuas ligadas ao passado imperial dessas nações. Algumas delas já estavam vandalizadas por protestos em suas cidades no último fim de semana. 

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, ordenou uma revisão das estátuas e nomes das ruas da capital britânica após a derrubada da estátua de um comerciante de escravos inglês por manifestantes antirracistas que desencadeou um debate sobre os demônios do passado imperial do país.

Uma estátua de Edward Colston, que fez fortuna no século 17 com o comércio de escravos da África Ocidental, foi derrubada e lançada no porto de Bristol no domingo por um grupo de manifestantes que participavam de uma onda de protestos, desencadeada pela morte de George Floyd, um homem americano negro morto por um policial branco.

Hoje, uma estátua de Robert Milligan, outro comerciante de escravos, do século 18, foi removida de seu pedestal, diante do Museu de London Docklands, depois que as autoridades decidiram que não era mais aceitável para a comunidade. Ela estava no centro das atenções depois que os manifestantes derrubaram a de Colston.

Khan disse que uma comissão revisará estátuas, placas e nomes de ruas que refletem amplamente a rápida expansão da riqueza e do poder de Londres no auge do império britânico no reinado da rainha Victoria.

“A diversidade da nossa capital é nossa maior força, mas nossas estátuas, nomes de estradas e espaços públicos refletem uma época passada”, disse Khan, acrescentando que algumas estátuas seriam removidas.

“É uma verdade desconfortável que nossa nação e cidade devem grande parte de sua riqueza à participação no comércio de escravos e, embora isso se reflita em nosso domínio público, a contribuição de muitas de nossas comunidades para a vida em nossa capital foi intencionalmente ignorada”.

Na maior deportação conhecida da história, armas e pólvora da Europa foram trocadas por milhões de escravos africanos que depois eram enviados pelo Atlântico para as Américas. Os navios retornavam à Europa com açúcar, algodão e tabaco.

Estátua do rei Leopoldo II foi vandalizada na Bélgica

Na Bélgica, a cidade de Antuérpia (norte) retirou uma estátua vandalizada do rei Leopoldo II, polêmico personagem do passado colonial do país. "A estátua foi severamente vandalizada na semana passada e será restaurada pelo Museu de Escultura ao Ar Livre de Middelheim", anunciou o porta-voz do burgomestre da Antuérpia, Johan Vermant. 

O porta-voz afirmou à agência France Presse que a estátua não será reinstalada e, "provavelmente", permanecerá na coleção do Museu, devido à reforma em 2023 da praça onde estava localizada. 

Uma porta-voz do museu confirmou que eles receberam a escultura. "Está no nosso depósito. Vamos examinar em que estado se encontra e quais são os próximos passos", afirmou.

Descendente da dinastia alemã Saxe-Coburgo-Gota, Leopoldo II foi rei dos belgas de 1865 a 1909 e é especialmente lembrado pela colonização do Congo Belga. Esse território chegou a ser sua propriedade particular.

Além dos protestos na Antuérpia, em Bruxelas, ou em Liège, no fim de semana, o racismo e a violência contra os negros são tema de um abaixo-assinado recente na Bélgica.

Um grupo chamado "Vamos reparar a história" exige a retirada do espaço público, em Bruxelas, de todas as estátuas de Leopoldo II. Os signatários dessa petição acusam o ex-monarca de ter "exterminado" milhões de congoleses./REUTERS e AFP  

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