AFP PHOTO / MARK RALSTON
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Este é apenas o começo do furacão Harvey para Trump

A recuperação total das cidades afetadas levará anos e a questão que está na mente de todos é saber quanto tempo o presidente conseguirá manter seu equilíbrio

Ed Rogers / Washington Post, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 05h00

Ao se tornar clara a magnitude dos danos causados pelo furacão Harvey, os comentaristas já começam a avaliar a resposta do presidente Donald Trump. E, até agora, tudo bem.

A Casa Branca de Trump parece estar fazendo tudo certo. O presidente tem sido extremamente prestativo, e seu governo parece estar assumindo a liderança. Ninguém, talvez fora uns poucos dos mais obstinados críticos do presidente, sugeriram que Trump não esteja no comando.

Eu me pergunto se isso é produto dos instintos de Trump; do foco e autoridade do chefe do Estado-Maior, general John Kelly, ou uma combinação dos dois. Independente disso, o desastre ainda está ocorrendo. A recuperação ainda não começou.

Trump está sob as lentes dos microscópios dos meios de comunicação tendenciosos, ansiosos para lançar-se sobre quaisquer falhas em sua resposta ao Harvey. Por enquanto, a observação mais convincente veio do governador do Texas, o republicano Gregg Abbot, segundo o qual, “Eu dou à Agência Federal de Emergências (Fema, na sigla em inglês) uma nota dez para todos, a começar pelo presidente”.

Mas a questão que está na mente de todos é saber quanto tempo o presidente conseguirá manter seu equilíbrio. Será que Trump ainda vai dar uma de Trump e desperdiçar esse momento? Será que ele vai tuitar algo violentamente inadequado? Será que vai lançar um insulto desmoralizante sem nenhuma lógica, exatamente na hora mais errada? Com quem ele vai comprar uma briga? Hummm.

De qualquer forma, acho que essa é uma boa hora para consultar meu amigo e sócio nos negócios, o ex-governador do Mississipi, Haley Barbour, que foi um dos heróis no rescaldo do furação Katrina e do derramamento de petróleo da BP; no seu livro America’s Great Storm (A Grande Tempestade dos Estados Unidos, em 

tradução livre) Barbour detalha a resposta imediata do Mississipi ao Katrina e os anos de recuperação que se seguiram.

Quando perguntei a ele sobre quais as lições importantes aprendidas, as primeiras considerações de Barbour foram: “o Texas vai se recuperar dos efeitos dessa tempestade por muitos anos ainda. Os governos locais e estadual precisam trabalhar juntos, sob a liderança do governador. Ninguém mais pode assumir o comando”.

E quanto à resposta da Casa Branca, ele afirmou: o governo federal precisa ser um bom parceiro para o Texas, da mesma forma como o foi depois dos furacões Katrina e Sandy. “O governo federal não precisa fazer tudo de forma perfeita, mas deve estar lá, e no longo prazo”.

Sem dúvida, haverá comentários de republicanos a respeito de custo e acontecimentos anteriores e os democratas vão extrapolar em questões referentes a gastos e microgestão. Uma vez que a recuperação total levará anos, Trump precisa estar comprometido e cuidar de certos detalhes durante meses até que esse capítulo na história do Harvey seja escrito. Jamais haverá o suficiente para todos e Trump terá de escolher os vencedores e derrotados.

Ainda não houve quaisquer erros impensados, tweets precipitados ou transtornos inúteis. O governo Trump teve um bom início. Mas isso só está começando./ Tradução de Claudia Bozzo

 

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