Estopim de revolta, filme ofende Maomé

Profeta é retratado como pedófilo, bissexual e sanguinário; cineasta teme represálias e está escondido na Califórnia

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2012 | 03h07

O filme Inocência dos Muçulmanos retrata Maomé como adúltero, bissexual, pedófilo e sanguinário. Aparentemente, os 14 minutos postados na internet são um trailer de um longa-metragem de duas horas escrito, produzido e dirigido por um cidadão americano de origem israelense, Sam Bacile, de 56 anos - ele teria confirmado que foi o responsável pelo filme.

"Esse é um filme político", afirmou Bacile à Associated Press. "Os EUA perderam muito dinheiro e muitas pessoas em guerras no Iraque e no Afeganistão, mas estamos lutando com ideias." De acordo com a agência de notícias, o cineasta decidiu se esconder por temer represálias.

Para o jornal Wall Street Journal, Bacile foi mais direto. "O Islã é um câncer", disse. Em entrevista, ele afirmou que o filme foi produzido com US$ 5 milhões levantados a partir de doações de integrantes de grupos pró-Israel, os quais ele não quis identificar.

Bacile recebeu apoio do pastor da Flórida Terry Jones, que ameaçou fazer uma fogueira de exemplares do Alcorão, enfurecendo multidões no mundo islâmico. Ontem, o chefe do Estado-Maior das forças americanas, Michael Mullen, telefonou para Jones pedindo que ele mude de posição.

Segundo trechos disponíveis no YouTube, a primeira parte do filme, situada na era moderna, mostra alguns cristãos coptas egípcios correndo de uma multidão muçulmana enfurecida. Na segunda parte, aparecem cenas históricas relatando a vida do profeta Maomé no deserto.

Nelas, ele é retratado como um filho bastardo, adúltero e bissexual. O profeta aparece tendo relações sexuais com várias mulheres. Para os muçulmanos, qualquer representação de Maomé é blasfêmia. Caricaturas, desenhos e sátiras já serviram de estopim para conflitos e outros levantes similares. / REUTERS e AP

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