"Estou disposto a negociar", diz Arafat

O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, disse nesta sexta-feira que está disposto a negociar com Israel em todos os níveis, sendo eles a segurança, a política e a economia.Arafat revelou sua postura em uma entrevista concedida à Ansa em seu gabinete na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, onde há dois meses vive cercado por tanques israelenses."Tudo bem. Estou esperando que ele faça o que queria", disse Arafat ao comentar as declarações do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que lamentou não ter assassinado o presidente palestino quando liderou uma invasão ao Líbano em 1982."O importante não sou eu. Quem importa é o meu povo, que sofre todos os efeitos desta escalada militar pelo cerco das cidades e povoados, pelo colapso econômico, pelas vítimas que dia após dia precisam enfrentar as humilhações impostas pelo Exército de Israel e pelos colonos judeus, proibidas pelas leis de direitos humanos e pelas resoluções internacionais." Segundo ele, os palestinos são "o único povo no mundo que entrou neste novo século sob ocupação."Para Arafat, "esta situação não pode ser aceita pela comunidade internacional e esperamos que ela intervenha para pôr fim à ocupação, para dar segurança a nós e a nossos lugares sagrados, queridos para os cristãos e para os muçulmanos".Arafat espera que a comunidade internacional "cumpra suas obrigações e que a Organização das Nações Unidas (ONU) envie rapidamente unidades de observadores para conter esta agressão e a ocupação de nossos territórios, reconhecidos pelos acordos de Oslo e pelos tantos outros que se seguiram, alguns deles assinados por Sharon e por (Benjamin) Netanyahu (ex-primeiro-ministro e rival de Sharon no Partido Likud, de extrema direita".Tais acordos "foram assinados na Casa Branca, com supervisão dos Estados Unidos, da Rússia da União Européia (UE) e de toda a comunidade internacional".Segundo Arafat, a maior parte do povo israelense é favorável à paz. "Por este motivo, estou seguro de que, cedo ou tarde, conquistaremos este objetivo. Não só pelos palestinos, mas também pelos israelenses, por nossos filhos, por seus filhos, pela segurança e pela estabilidade de todo o Oriente Médio", declarou."Não podemos nos esquecer de que esta é a Terra Santa e que pertence a todo o mundo. A paz é importante para todos nós e tenho certeza de que no futuro poderemos viver juntos, palestinos e israelenses."Arafat disse ainda que está "disposto a seguir junto nessas negociações em todos os níveis, o que compreende a segurança, a política e a economia, auxiliando diretamente na implemantação dos planos Mitchell e Tenet?.O presidente palestino revelou também que vem mantendo contato constante com os Estados Unidos, mas não quis comentar as declarações do presidente George W. Bush em seu recente discurso sobre o Estado da União."Não podemos nos esquecer de que o presidente Bush, em seu discurso na Assembléia Geral da ONU, ressaltou a necessidade de um Estado palestino independente e que esta é a postura permanente da UE, da Rússia, da China, do Japão, do mundo árabe e do movimento dos países não alinhados."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.