Estrangeiros desocupam catedral na França

A catedral de Saint Denis foi esvaziada nesta sexta-feira depois de 13 dias de ocupação. Uma centena de trabalhadores estrangeiros em situação irregular na França que estava no local desde o dia 17 saiu da catedral, um monumento altamente simbólico, onde estão sepultados quase todos os reis franceses. Os ocupantes atenderam a uma solicitação do bispo Olivier de Berranger, para quem "a catedral não é a bóia de salvação dos trabalhadores sem papéis". A seu ver, a igreja já desempenhou seu papel acolhendo os imigrantes sem documentos, mas agora eles devem buscar outros meios para reivindicar a regularização de sua situação na França. O movimento, constituído na maioria por africanos, mas representado também por 35 outras nacionalidades, diverge do governo, que não admite um exame coletivo dos casos de milhares de trabalhadores nas mesmas condições no pais, mas promete examinar caso por caso. Os responsáveis pela coordenação dos sem-papéis se mostram decepcionados com a evolução da situação, e prometem novas formas de luta. O bispo de Saint Denis encontrou o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, durante a semana, preocupado com a extensão do movimento, pois já havia rumores de que os clandestinos preparavam outras invasões de igrejas, em Lyon, Marselha. Nantes e Bordeaux. A ocupação provocou protestos dos monarquistas, mas também da extrema direita (incluindo Jean-Marie Le Pen), que acusou o governo e a Igreja de conivência e inação. O movimento de ocupação da catedral de Saint Denis ganhou força na última semana. Centenas de imigrantes em situação irregular fizeram fila durante a madrugada desses últimos dias diante da catedral, acreditando que poderiam inserir os nomes nas listas que estão sendo entregues ao governo para exame da situação. O principal dirigente da Coordenação 93, Ali Mansouri, já entregou uma primeira lista contendo 1.150 pedidos de regularização. Ele se diz surpreso e decepcionado com a atitude do bispo, pois já havia prometido ao pároco de Saint Denis desocupar o local. Todos os dias, desde a ocupação da catedral pelos trabalhadores imigrantes (na maioria muçulmanos), monarquistas se reuniram diante dela para solicitar a expulsão dos sem-papéis. Eles estavam exasperados pela "profanação" e tudo fizeram para que os ocupantes partissem o mais depressa possível, chegando a anunciar um alerta de bomba. Também o dirigente da extrema direita Jean-Marie Le Pen aproveitou a ocasião para protestar, acusando o episcopado francês de permitir e facilitar a ocupação.

Agencia Estado,

30 Agosto 2002 | 19h20

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