Estrangeiros podem ser condenados à morte pelo Taleban

Os oito funcionários humanitários ocidentais que estão sendo julgado no Afeganistão, acusados de pregar o cristianismo, poderão ser condenados à morte se forem declarados culpados, advertiu hoje o juiz responsável pelo caso, Noor Mohamed Saqib. "Os julgaremos de acordo com seus delitos. E a condenação será de acordo com a sharia (a lei islâmica)", disse Mohamed Saqib ao começar o segundo dia de julgamento contra os quatro alemães, dois americanos e dois australianos, funcionários da organização não-governamental Shelter Now International, com sede na Alemanha."Se o crime é merecedor de prisão, eles serão presos, se é merecedor de enforcamento, eles serão enforcados", disse o presidente do Tribunal Supremo à agência de notícias AIP, com sede no vizinho Paquistão, um dos raros países que reconhece o governo do movimento integrista islâmico Taleban, que controla 95% do território afegão.Até agora acreditava-se que os funcionários ocidentais seriam castigados com uma breve pena de prisão e sua expulsão do Afeganistão. E temia-se uma possível condenação à morte dos 16 funcionários afegãos, também acusados de pregar os cristianismo. Mas um decreto do regime fundamentalista dos talebans prevê a pena capital também para os não-muçulmanos.Mohamed Saqib indicou que não sabia quanto tempo durará o julgamento e acrescentou que os ocidentais têm o direito de defesa. "Eles até podem trazer advogados estrangeiros não-muçulmanos", disse. Contudo, diplomatas alemães, americanos e australianos, que estão há mais de uma semana na capital afegã, Cabul, reclamam de não terem sido comunicados sobre o início do processo e de não terem recebido autorização para assistir ao julgamento."Este é um julgamento muito importante, não apenas para o Afeganistão, mas para todo o mundo islâmico, já que os acusados tentaram converter pessoas que professavam uma religião (o islamismo) que foi descrita como a última religião e a mais perfeita", afirmou Mohamed Saqib.As Nações Unidas pediram ao Taleban um julgamento justo e transparente para os 24 funcionários humanitários, presos no começo do mês passado.

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