Estrangeiros tem passaportes detidos no Quênia

Doze estrangeiros foram detidos hoje no Quênia e interrogados sobre dois ataques simultâneos contra alvos turísticos israelenses. Deste grupo, dez estavam de posse de passaportes considerados "suspeitos". Apenas um casal - uma americana e um espanhol - foi detidos por engano nas buscas promovidas pela polícia.O porta-voz policial, King´ori Mwangi, se recusou a comentar sobre sobre a nacionalidade dos estrangeiros detidos, mas uma fonte afirmou que são seis paquistaneses e quatro somális, além da americana e do espanhol.Mwangi afirmou que a polícia deteve nove dos estrangeiros numa praia na região de Mombasa, na manhã de hoje. Ele não explicou o critério para classificar os passaportes como "suspeitos". Mas é possível obter passaportes em menos de uma hora na vizinha Somália, uma nação sem lei que não tem um governo central constituído há mais de uma década.A polícia deteve o casal na manhã de quinta-feira enquanto promovia buscas num hotel próximo ao Hotel Paradise, onde um atentado suicida com carro-bomba havia matado uma hora e meia antes 10 quenianos, três israelenses e os três atacantes.O porta-voz da Embaixada americana, Peter Claussen, confirmou que uma americana e um espanhol com visto de residência nos Estados Unidos - que seria seu marido - estavam detidos. Ele não quis identificar o casal, as primeiras pessoas detidas depois do atentado ao hotel e de um ataque frustrado com mísseis contra um avião de passageiros israelense.Entretanto, fontes policiais identificaram a mulher como Alicia Kalhammer, que usou um endereço da Flórida ao entrar no Le Soleil Beach Club, a 5 km do Hotel Paradise, em 26 de novembro. O nome do espanhol não consta na ficha de entrada.O Ministério do Exterior da Espanha confirmou que um espanhol residente nos EUA estava sendo questionado, mas não deu mais detalhes. "Imediatamente depois do incidente, detivemos duas pessoas para interrogatório. A partir das informações que elas ofereceram, fomos capazes de deter também outras 10 pessoas", explicou a repórteres o comissário de polícia Philemon Abong´o.Funcionários do Le Soleil foram alertados pela polícia para informar sobre qualquer hóspede que estivesse disposto a encerrar sua estada após os atentados - o que ocorreu com o casal. Cinco minutos depois da explosão no hotel, dois mísseis passaram perto de um Boeing 757 da israelense Arkia Airlines, que havia acabado de levantar vôo do aeroporto de Mombasa com destino a Tel Aviv, Israel. Um veículo off road branco ficou estacionado a 1,6 km da pista na hora do ataque, segundo a polícia.Policiais recuperaram lançadores e duas cápsulas de mísseis, afirmou o governo num comunicado. Não foi, entretando, divulgado oficialmente o tipo de míssil usado, mas notícias na imprensa israelense falaram que seria o portátil terra-ar de fabricação russa Strela. O Boeing, que levava 261 passageiros e 10 tripulantes, pousou em segurança em Tel Aviv. Ninguém ficou ferido.11 de setembroDesde os ataques de 11 de setembro nos EUA, autoridades quenianas já detiveram vários estrangeiros - principalmente africanos e asiáticos - pelo uso de passaportes falsos. Nenhum foi formalmente acusado. O jornal The Daily Nation escreveu que investigadores examinam possíveis vínculos entre os ataques e cinco paquistaneses e dois somalis detidos na segunda-feira nas proximidades do porto de Mombasa. Eles portavam passaportes somalis emitidos no mesmo dia em Mogadíscio, capital da Somália.Uma grande variedade de armamentos é vendida livremente na Somália, que freqüentemente é citada pelos EUA como provável abrigo de terroristas. Um grupo desconhecido, o Exército da Palestina, assumiu responsabilidade pelos ataques. Mas autoridades palestinas negaram que qualquer grupo palestino esteja envolvido e oficiais quenianos e israelenses acreditam que por trás do ataque esteja a rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden.AustráliaA Austrália anunciou hoje que havia recebido informação há mais de duas semanas sobre ameaças terroristas "contra interesses ocidentais" em Mombasa. O líder de um grupo militante islâmico em Londres também afirmou que há dias havia sinais de que poderiam ocorrer ataques no Leste da África.O xeque Omar Bakri Mohammed, líder do Al-Muhajiroun, disse que avisos sobre o assunto estavam sendo colados em sites e salas de bate-papo na Internet. "O aviso estava sendo enviado para a comunidade muçulmana em todo o mundo, que Israel iria pagar um alto preço no Leste da África", informou ele. O ataque ao hotel foi uma arrepiante lembrança do atentado a bomba no mês passado contra uma discoteca na ilha de Bali, Indonésia, que deixou mais de 190 mortos, a maioria estrangeiros.O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, ordenou que a agência de espionagem Mossad investigasse os ataques de quinta-feira. O Exército israelense enviou uma equipe de 150 médicos, psicólogos e soldados para o Quênia após os ataques. Quinze feridos nas explosões e outros 235 turistas foram levados de avião hoje para Israel, assim como os corpos dos dois israelenses mortos. A maioria dos 28 milhões de habitantes do Quênia, na costa do Oceano Índico, é muçulmana.

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