Estratégia de Zuma pode ser um tiro no pé

Sul-africano quis agradar a todos, mas será difícil cumprir promessas

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

Ao incluir em seus discursos promessas para banqueiros, negros da classe média e sul-africanos miseráveis ao mesmo tempo, o próximo presidente da África do Sul, Jacob Zuma, montou uma armadilha para si mesmo. Quando assumir o cargo, o líder do Congresso Nacional Africano (CNA) terá de lidar com problemas crônicos, como aids, violência e pobreza, e será bastante cobrado por uma população cada vez mais impaciente. Apurados mais de 95% dos votos, o CNA tinha ontem 66% dos votos - um pouco menos que os dois terços necessários para o partido modificar a Constituição. Em segundo estava a Aliança Democrática, liderada pela prefeita de Cidade do Cabo, Helen Zille, com 16,5%, seguida pelo Congresso do Povo (Cope), partido dos aliados do ex-presidente Thabo Mbeki e de dissidentes do CNA, com 7,5%.A estratégia de Zuma para garantir uma vitória avassaladora foi simples: agradar a gregos e troianos. Mas, terminada a campanha, os sul-africanos começarão a exigir resultados. Zuma comprometeu-se com os sindicatos e comunistas, sua base política, a aumentar os gastos no combate à pobreza. Ao mesmo tempo, vestindo ternos bem cortados, garantiu aos investidores estrangeiros que manteria a estabilidade financeira e a responsabilidade fiscal. "Não acredito que Zuma cumprirá o que prometeu", disse Aubrey Matshiqi, analista do Centro de Estudos Políticos, de Johannesburgo. "É um ato de malabarismo. No poder, Zuma será um malabarista. O problema é que só é possível conciliar as coisas até um certo limite, principalmente quando se trata de temas reais", disse Shadrack Gutto, professor de direito da Universidade da África do Sul. Diante da necessidade de agradar a todos, Zuma talvez possa usar a crise global a seu favor, caso consiga neutralizar os sindicatos, que exigem que ele dê uma guinada à esquerda. A primeira dificuldade de Zuma será escolher seu ministério. Por enquanto, a única unanimidade é Trevor Manuel, atual ministro das Finanças e favorito do mercado financeiro, que deve permanecer no cargo.

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