Estratégia dos EUA amplia ameaça de radicais a civis

Uma menina de 9 anos foi estuprada por pelo menos três homens na cidade paquistanesa de Bahawalpur, na Província de Punjab, que faz fronteira com a Índia. O crime ocorreu na quarta-feira, segundo informações do jornal The Express Tribune.

É JORNALISTA DO CHRISTIAN SCIENCE MONITOR, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2013 | 14h38

Análise: Taha Siddiqui

A morte de Maluvi Nazir, um dos comandantes do Taleban paquistanês, em um bombardeio com um avião não tripulado americano, ameaça desencadear um novo surto de violência contra um governo frágil em Islamabad ou mesmo contra alvos civis. O ataque de Washington deve ainda ampliar as divisões dentro das forças de segurança e militares paquistanesas.

Nazir viajava de carro na tumultuada região do Waziristão do Sul, na fronteira com o Afeganistão, quando seu veículo foi atingido por um míssil. Ele e seis outros paquistaneses - supostamente integrantes da insurgência - foram mortos na hora.

Os ataques ressaltam a complicada rede que une as facções radicais no Paquistão, algumas centradas no combate às forças americanas no Afeganistão, outras com o objetivo de derrubar o governo paquistanês - há ainda aqueles insurgentes cujo alvo são as forças indianas. Muitas dessas facções são apoiadas ou financiadas por agências de inteligência ou pelo Exército do Paquistão, os quais têm agendas distintas.

Nazir - que sobreviveu a um ataque suicida, em novembro, supostamente organizado por comandantes rivais do Taleban - era considerado um partidário do governo paquistanês, posição rara dentro da insurgência. No passado, ele concordara em proibir seus combatentes de atacar forças do governo, concentrando os esforços no combate liderado pelo Taleban afegão contra os americanos. Por isso, alguns o chamavam de "o bom Taleban".

Com sua morte, contudo, alguns analistas acreditam que seu sucessor e seguidores podem voltar suas armas contra civis e alvos militares dentro do Paquistão. "Esses ataques de drones não são os primeiros que ocorreram e, com certeza, provocaram uma divisão entre os militares paquistaneses e os membros do Taleban liderado por Maulvi Nazir", disse Mehreen Zahara Malik, jornalista de Islamabad que recentemente visitou Wana, cidade do Waziristão do Sul, onde Nazir tinha sua base.

A isso soma-se a indignação generalizada entre paquistaneses diante dos ataques de drones. O governo e o Exército aproveitaram esse fato para pressionar Washington. "As forças do 'bom Taleban' suspeitam, cada vez mais, que os ataques sejam realizados com o consentimento das forças de segurança do Paquistão", afirma Malik. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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