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Estratégia Política

Derrotado, o presidente americano, Barack Obama, sai da presidência disparando para todo lado, como caubói sangrando no chão do saloon

Helio Gurovitz, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2017 | 05h00

Por que Barack Obama resolveu sair atirando

Derrotado, o presidente americano, Barack Obama, sai da presidência disparando para todo lado, como caubói sangrando no chão do saloon. Primeiro, os Estados Unidos se abstiveram na votação da ONU que condenou colônias israelenses na Cisjordânia – enfurecendo os aliados devotos que Israel conquistou no governo Donald Trump. Depois, Obama expulsou do país 35 russos, acusados de invadir computadores na campanha eleitoral e manipular o noticiário em favor de Trump – abrindo a maior crise diplomática com a Rússia desde a invasão da Ucrânia. Que quer com tudo isso? 

A intenção óbvia é deixar problemas na mesa do sucessor. Quanto mais confusão criar para Trump, mais fácil criticá-lo depois. Há ainda um objetivo menos evidente: obscurecer o legado desastroso de sua gestão para o Partido Democrata. Hillary Clinton não foi a única derrotada em novembro. Uma análise da National Review mostra que, em oito anos de Obama, os democratas perderam 16% das cadeiras do Senado (55 a 46), 24% dos assentos na Câmara (256 a 194), o controle das duas Casas, 43% dos governos estaduais (28 a 16), 44% das assembleias e 54% dos senados estaduais. 

Ao todo, o saldo negativo é de 959 representantes nos Estados, superando os fracassos históricos das gestões Eisenhower (843) e Nixon/Ford (800). Em 2009, o Partido Democrata controlava o governo e ambas as Casas legislativas em 17 Estados; em 2017, serão 6. Quanto tempo levará para o partido se recuperar do legado de Obama?

Governo Trump, ideias da Unicamp

O único doutor em economia na equipe de Trump é Peter Navarro. Ele vem da Universidade da Califórnia, em Irvine, mas bem poderia ter saído da Unicamp. Autor do livro Crouching Tiger, sobre a possibilidade de guerra com a China, Navarro defende a disputa comercial em vez de acordos de livre-comércio. Acredita que a economia é um jogo de soma zero e mede a saúde de um país por seu superávit comercial. Sua plataforma é usar o poder do Estado para fechar fronteiras e proteger mercados. Daí a escolher os campeões nacionais vai só um pulinho.

 

Como pensamos sobre nossas escolhas

Em seu novo livro, The Undoing Project, o ás do jornalismo financeiro Michael Lewis – autor de Moneyball, The Big Short e Flash Boys – narra a história da amizade mais relevante para a ciência econômica no fim do século passado, entre os psicólogos israelenses Amos Tversky e Daniel Kahneman. Os dois criaram o campo da economia comportamental ao entender que, ao contrário da opinião predominante entre os economistas, o ser humano faz escolhas nada racionais.

Ártico esquenta, Alasca e Sibéria esfriam

Ninguém tem dúvida de que o clima da Terra está maluco. As temperaturas no Ártico estão mais de cinco graus acima do esperado para este período do ano. Paradoxalmente, o Hemisfério Norte, em especial Sibéria e Alasca, sofre um inverno rigorosíssimo. A explicação parece ter a ver com correntes de ar ou marinhas, mas é um mistério para os próprios cientistas.

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