Estrategista, Mono Jojoy era o guerrilheiro mais odiado do país

Conhecido pela violência, comandante do maior contingente rebelde dificilmente terá um substituto à altura

Talita Eredia, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

Diferentemente do que ocorreu após a morte de outros dirigentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Jorge Briceño, conhecido como "Mono Jojoy", pode não ser prontamente substituído, já que nenhum outro líder tem seu perfil de estrategista militar. "É claro que a morte atinge diretamente os rebeldes. Eu não acredito que exista outro dirigente que possa ocupar seu lugar. O impressionante no caso é o fato de o principal estrategista das Farc ter sido pego", disse ao Estado o cientista político colombiano Carlos Medina.

"Mono Jojoy" foi um dos principais arquitetos de grandes vitórias das Farc sobre os militares na década de 90. Ele chegou a comandar até 6 mil rebeldes do Bloco Oriental, o mais importante da guerrilha e responsável pelo crescimento e pela consolidação do grupo em território colombiano.

"Jojoy" costumava dizer que sua vida eram as Farc, que integrou por mais de 30 anos. Ele temia, após sua morte, ser usado como troféu, como o governo colombiano fez com Raúl Reyes. "Jojoy" não contava, em hipótese alguma, em ser preso pelos militares - preferia a morte em combate.

Defensor da ação armada, ele era um dos guerrilheiros mais violentos e cruéis. Seus ataques destruíram vilas e unidades militares inteiras. Era conhecido pelo uso de armas não convencionais, como botijões de gás, e foi um dos principais autores dos sequestros de policiais e políticos para garantir a troca de prisioneiros exigida pelas Farc até hoje.

O segredo de seu poder sobre as tropas estava na sua origem camponesa, na disciplina e na relação próxima com Manuel Marulanda, o Tirofijo, fundador das Farc. Conheceu-o aos 12 anos e chegou a ser seu segurança.

"Jojoy" teve pouca instrução. Seu parco conhecimento acadêmico foi adquirido na convivência com guerrilheiros desde os 8 anos. Filho de um rebelde comunista, entrou para as Farc, em 1975, graças ao "padrinho", Jacobo Arenas, um dos ideólogos da guerrilha.

As grandes vitórias rebeldes lideradas por "Mono Jojoy" foram caracterizadas pela mobilização de contingentes e aniquilação dos setores políticos em suas zonas de influência, espalhando uma onda de violência pelo país.

Diabete. A estrutura das Farc foi enfraquecida após a remodelação do Exército colombiano e, durante o governo Álvaro Uribe, o grupo teve vários de seus líderes mortos.

A guarda pessoal de "Mono Jojoy" tinha entre 10 e 12 mulheres, mas era Shirley, sua companheira, quem ficou responsável pela luta contra a diabete, doença que o debilitou até os últimos anos de vida.

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