Estrela da salsa desafia bolivarianos

Cenário: William Neuman / NYT

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2013 | 02h06

As campanhas políticas na Venezuela frequentemente parecem batalhas entre bandas musicais. As canções escritas para essa finalidade são transmitidas a todo volume por caminhões que percorrem as cidades onde os candidatos discursam. Cada lado procura criar as músicas para estimular o público dos comícios, que, na maioria das vezes, acabam se tornando festas regadas a cerveja. Às vésperas das eleições de domingo, a oposição conta com um astro musical improvável: Willie Colón, famoso cantor de salsa nascido no Bronx, com raízes porto-riquenhas.

Na noite de sexta-feira, Colón postou a gravação de uma salsa que provoca Nicolás Maduro. Sem mencionar diretamente Maduro, a letra se refere a ele como Novas Mentiras, apelido com que o candidato da oposição, Henrique Capriles, agora prefere chamar o adversário. Num comício segunda-feira, Maduro revidou, afirmando que Colón, um dos maiores nomes da salsa, que tem um grande número de fãs na Venezuela, caíra "na lama".

"Por que, se você é porto-riquenho, beija a mão imperial que transformou o seu país numa colônia?", disse Maduro, que fez da crítica feroz aos EUA um dos pontos fortes de sua campanha. Ele sugere que os EUA inocularam Chávez com um câncer e declarou que o seu governo não dará continuidade às conversações que visam melhorar o relacionamento entre os dois países. "Mesmo assim, aqui na Venezuela nós o perdoamos. Fique com sua rumba, sua rumba do ódio, que nós ficamos com a nossa rumba do amor", disse Maduro.

A canção de Colón, escrita por um ator venezuelano, Rolando Padilla, desfia um rosário de problemas na Venezuela: pontes que caem, desvalorização da moeda, apagões e criminalidade crescente. E se refere a Maduro como "o reserva, que agora se encarrega de tornar o desastre maior ainda". Colón insta os ouvintes a votar em Capriles e, usando o apelido do candidato, diz: "Ataca, Flaco!" A música tocou mais de 670 mil vezes até quarta-feira, segundo o site onde foi postada, Soundcloud.

Numa entrevista por telefone, Colón contou que tem muitos amigos na Venezuela. Alguns anos atrás, ele começou a postar mensagens criticando Chávez no Twitter e recebeu respostas iradas dos seguidores de Chávez. A briga voltou a esquentar pelo Twitter em janeiro, quando Colón escreveu uma mensagem no Twitter brincando com o nome do presidente interino. O post dizia que a Venezuela tinha dois presidentes: um maduro e o outro podre (Chávez se recuperava de uma cirurgia em Cuba).

Cada campanha usa músicas pop, de reggaeton e canções tradicionais venezuelanas. Uma que tocou recentemente num comício de Maduro baseava-se no sucesso Gangnam Style, mas as palavras "sexy lady" foram substituídas por "com Maduro". O candidato chavista também dança periodicamente, canta ou toca o bumbo nos comícios. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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