Estrela do futebol americano se recusa a ser chamado de herói

"Definitivamente, eu não sou um herói", afirmou o ex-jogador de futebol americano Joe Andruzzi ao ser confrontado com fotos que o mostravam carregando no colo uma mulher ferida pela explosão na linha de chegada da Maratona de Boston, na tarde de 15 de abril. Andruzzi, de 37 anos, foi um dos personagens da tragédia destacados pela imprensa americana por escolher, naquele momento crítico, auxiliar os feridos.

BOSTON, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2013 | 02h05

"A maratona deveria ter sido um momento edificante de estórias, desafios pessoais e arrecadação de fundos. Mas as explosões mudaram inegavelmente isso", afirmou Andruzzi, por meio de comunicado enviado por sua assessoria ao Estado. "Os policiais, médicos, paramédicos, corredores e inúmeros civis que fizeram o possível para salvar vidas são os verdadeiros heróis", completou o ex-jogador do New England Patriots e ganhador em cinco campeonatos por esse time de Boston. Sobrevivente de câncer linfático, Andruzzi conduz uma fundação com seu nome dedicada a pessoas vitimadas por essa doença. Ele esperava a chegada dos atletas de sua fundação.

"Eu vi três moças carregando uma mulher nas costas e disse: deixe-me ajudar. Eu a levei até uma ambulância, a uma quadra, e depois a acalmei", contou ao jornal Boston Globe.

Entre inúmeros anônimos, o médico ortopedista Vivek Shah e o ativista pela paz Carlos Arredondo somaram-se a essa lista de "heróis". O médico de 36 anos terminava a maratona quando viu as explosões perto de onde sua família o aguardava. Shah acelerou para checar como estavam seus parentes e ajudar os feridos. "Em todo o meu treinamento médico, eu nunca tinha visto a quantidade de traumas que eu vi naquela calçada", disse.

Carlos Arredondo, de 52 anos, esperava a chegada de corredores que homenageavam seu filho Brian, fuzileiro naval morto aos 20 anos na Guerra do Iraque. Depois das explosões, ele ajudou policiais a derrubar uma cerca de madeira que os impedia de chegar aos feridos mais graves e atendeu um jovem com as pernas ensanguentadas. Rasgou peças de suas roupas e fez um torniquete para estancar a hemorragia."Havia tantas pessoas deitadas perto de mim e implorando a minha ajuda, mas eu só podia ajudar uma de cada vez", afirmou. / D.C.M.

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