Estrela do Partido Trabalhista britânico abandona a política

David Miliband, que já foi cotado para liderar governo, deixa cadeira no Parlamento e assume comando de ONG nos EUA

LONDRES, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2013 | 02h11

O ex-ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, importante membro do opositor Partido Trabalhista, deixou ontem seu trabalho como parlamentar para chefiar o Comitê Internacional de Resgate, em Nova York. Miliband já foi considerado um possível favorito para o cargo de primeiro-ministro, mas em 2010 perdeu a disputa da liderança do partido para seu irmão, Ed.

Desde então, ele tem estado fora dos holofotes enquanto seu irmão trabalha para derrubar o governo, cuja coalizão é liderada pelos conservadores. Miliband disse que é hora de deixar sua cadeira no Parlamento e aceitar a oportunidade de chefiar a entidade global. O comitê foi fundado na década de 1930 para ajudar os judeus que fugiam dos horrores do nazismo e atualmente atua com ajuda humanitária em 40 países. Ed Miliband declarou ontem que a política britânica ficará "mais pobre" sem seu irmão.

Em entrevista à BBC ontem, David Miliband, de 47 anos, disse que temia ser "uma distração" em qualquer papel que viesse a desempenhar, seja como parte da equipe de seu irmão ou fora dela. Declarou que não queria que o foco continuasse sendo "as minúcias de uma relação entre dois irmãos que brigaram entre si pela liderança em uma campanha eleitoral há dois anos". Disse, ainda, que preferia ver a sua visão comparada à de David Cameron, referindo-se ao premiê britânico.

A decisão de David de deixar a política britânica pode ser reflexo de que Ed Miliband parece finalmente ter se firmado como líder do Partido Trabalhista, depois de um início instável. Os dois irmãos são ex-ministros do governo de Gordon Brown e filhos de um intelectual e historiador judeu de esquerda, Ralph Miliband, que chegou à Grã-Bretanha, em 1940, no último navio a deixar a Bélgica diante do avanço das forças nazistas. / AFP

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