REUTERS/Bryan Woolston
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Estudante americano foi libertado por razões humanitárias, diz Coreia do Norte

Otto Warmbier chegou em coma aos EUA na quarta-feira após ficar um ano e meio detido no território norte-coreano; segundo CNN, ele está em condição estável, mas sofreu ‘danos neurológicos severos’

O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2017 | 12h08

SEUL - O estudante americano Otto Warmbier, que chegou na quarta-feira 14 em coma aos EUA depois de um ano e meio detido na Coreia do Norte, foi libertado por razões humanitárias, segundo informou a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.

"Otto Frederick Warmbier, que estava fazendo trabalhos forçados, foi reenviado para seu país no dia 13 de junho de 2017 por motivos humanitários em virtude da decisão da Corte Central da RPDC", indicou a agência, falando o nome oficial da República Popular Democrática da Coreia.

Warmbier, condenado a 15 anos de trabalhos forçados por "atividades hostis", foi repatriado para Cincinnati, cidade do norte dos EUA, onde sua família reside. Ele foi imediatamente levado para um centro médico da região.

Segundo informações da rede CNN, Warmbier está em condição estável, mas sofreu “danos neurológicos severos”, disse a porta-voz do Centro Médico da Universidade de Cincinnati.

A família do jovem anunciou sua libertação, em um contexto de grande tensão entre EUA e Pyongyang e a poucos dias da visita do novo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, à Casa Branca, no fim do mês.

O rapaz está em coma desde março de 2016, mas só agora a família ficou sabendo. Segundo o jornal The Washington Post, Otto Warmbier contraiu uma forma de botulismo pouco depois de seu julgamento em março de 2016 e recebeu uma dose de sonífero que fez com que entrasse em coma.

O negociador americano Bill Richardson, que participou das negociações para a libertação do estudante, disse que a Coreia do Norte "deveria explicar claramente as causas do coma".

O pai do jovem refutou a versão norte-coreana. "Acreditar em sua explicação de botulismo e uma pastilha para dormir que causa um coma, nós não acreditamos. Não há desculpa para que qualquer nação civilizada lhe negasse tratamento médico", disse Fred Warmbier em coletiva de imprensa.

O Supremo Tribunal da Coreia do Norte condenou Warmbier em março de 2016 depois que ele reconheceu ter roubado um cartaz com um slogan político do hotel onde estava hospedado em Pyongyang. Ele estava no país para uma excursão organizada pela agência chinesa Young Pioneer Tours.

Apresentado à imprensa estrangeira e diplomatas poucas semanas depois, declarou, aos prantos, ter cometido "o pior erro” de sua vida.

A diplomacia americana havia pedido à Coreia do Norte que o perdoasse, considerando a sentença excessivamente dura, e havia acusado Pyongyang de usar o jovem como moeda de troca de uma chantagem política.

Ao menos 17 americanos foram presos no país nos últimos 10 anos. Três seguem em detenção. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, disse na terça-feira que vai trabalhar pela libertação dos outros detidos. / AFP e EFE

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