Reprodução / Facebook
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Estudante brasileira é morta a tiros na Nicarágua

Embaixada brasileira em Manágua confirma morte e diz que pediu explicações ao governo local; Polícia Nacional diz que carro de Raynéia Gabrielle Lima foi atingido por disparos feitos por um guarda de vigilância particular, mas agremiação de estudantes afirma que veículo foi alvo de paramilitares

Lorena Lara e Murillo Ferrari, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2018 | 10h40
Atualizado 24 Julho 2018 | 18h54

MANÁGUA - A estudante universitária brasileira Raynéia Gabrielle Lima, de 30 anos, foi morta a tiros na noite da segunda-feira 23 em Manágua, capital da Nicarágua, segundo a Embaixada do Brasil no país caribenho.

Nota divulgada pela Polícia Nacional da Nicarágua indica que Raynéia estava sozinha no veículo e foi atingida por ao menos um disparo por um guarda de vigilância particular. De acordo com o documento, a estudante foi levada ao Hospital Militar Escola Alejandro Dávila Bolaños, onde morreu. A polícia informou que o guarda que realizou os disparos contra Raynéia está sendo investigado para esclarecer as motivações.

Mais cedo, em relato publicado no Twitter, a Coordinadora Universitaria, uma agremiação de estudantes de oito universidades nicaraguenses, disse que Raynéia voltava para casa na noite de segunda quando seu veículo foi atingido a tiros perto do Colégio Americano por paramilitares que ocupam a Universidade Nacional Autônoma.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que busca esclarecimentos sobre a morte da estudante e condenou "o uso desproporcional e letal da força" no país.

A Nicarágua vive uma onda de protestos desde o dia 18 de abril, quando a população rejeitou uma proposta de reforma da previdência que depois foi abandonada pelo governo.

Raynéia era estudante de medicina na Universidade Americana de Manágua (UAM). Ela estava perto de terminar o curso e já fazia residência, informou ao Estado seu pai, Ridevando Pereira. contou que soube da morte da filha por meio de uma ligação da embaixada brasileira. Segundo ele, a família tem poucas informações e está se atualizando pelas redes sociais e pela imprensa. "Estamos em contato com a embaixada para saber alguma coisa", disse. 

De acordo com informações da embaixada brasileira na capital da Nicarágua, a estudante voltava de carro de um plantão no Hospital Carlos Roberto Huembes e já estava perto de casa, na região de Lomas de Montserrat, quando foi atacada e morreu.

Raynéia terminaria a residência em fevereiro de 2019. A jovem morava sozinha na Nicarágua havia cinco anos.

Esclarecimentos.

As autoridades do País já notificaram o governo de Daniel Ortega sobre o caso e pediram explicações. A embaixadora nicaraguense em Brasília também deve ser convocada pelo governo, segundo uma diplomata brasileira em Manágua ouvida pela reportagem - até o momento as autoridades da Nicarágua não se pronunciaram.

Segundo informações da embaixada brasileira, o reconhecimento do corpo já foi realizado e os resultados da autópsia são esperados para os próximos 15 dias. Ainda não há prazo para que o corpo da estudante seja liberado pelas autoridades e possa ser trazido para o Brasil.

Protestos na Nicarágua
Nicarágua vive onda de protestos desde abril. Foto: Rodrigo Sura / EFE

A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos acusam o presidente Daniel Ortega de causar graves violações dos direitos humanos, “assassinatos, execuções extrajudiciais, maus-tratos, possíveis atos de tortura e detenções arbitrárias”.

O governo nega as acusações. O país vive a crise sociopolítica mais sangrenta desde a década de 80, quando Ortega também era líder. / COM EFE

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