Alberto Valdes/EFE
Alberto Valdes/EFE

Estudante chileno perde totalmente a visão após balas disparadas por policiais

Caso é o primeiro em que perda total da visão foi constatada; mais de 200 pessoas deram entrada em hospitais no país por causa de lesões oculares causadas nos protestos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 23h03

SANTIAGO - Um estudante universitário de 21 anos se tornou o primeiro chileno a ficar totalmente cego por balas disparadas por policiais de choque durante protestos que ocorrem no país há mais de um mês, segundo um relatório médico divulgado nesta terça-feira, 26.

Gustavo Gatica, um estudante de psicologia, ficou ferido enquanto fotografava uma manifestação em 8 de novembro na Plaza Italia - o centro dos protestos em Santiago -, com a presença de cerca de 75 mil pessoas.

O jovem foi transferido para a clínica de Santa María, no bairro de Providencia, onde foi diagnosticado pela primeira vez que havia perdido a visão de um dos olhos e que o outro estava em perigo.

"Gustavo Gatica Villarroel receberá alta da Clínica Santa María, após 17 dias na instituição. A gravidade de seus ferimentos determina que sua condição é visão zero bilateral permanente", afirmou o relatório médico divulgado pela unidade hospitalar.

Após sair da clínica, a recuperação do jovem será acompanhada por uma equipe multidisciplinar, que inclui acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

A diretora de Direitos Humanos da polícia, Karina Sosa, lamentou muito a situação do estudante e prometeu a colaboração dos Carabineros (policiais de choque) na investigação deste caso, realizada pela justiça chilena.

O caso de Gatica se tornou um símbolo entre as mais de 200 pessoas que sofreram ferimentos nos olhos, muitas delas com a perda de visão provocadas pelos fragmentos das balas não letais disparadas pela polícia para dispersar os manifestantes nos protestos que começaram no dia 18 de outubro.

Nesta terça-feira, a Human Rights Watch Organization (HRW) constatou violações "sérias" dos direitos humanos pelas forças policiais e recomendou a reforma da instituição. Anteriormente, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a Anistia Internacional apontaram violações cometidas pelos agentes de segurança.

"Por Gustavo e todos os jovens que perderam a visão por meio de agentes do Estado, exigimos a saída do general (Mario) Rozas - diretor do Departamento de Polícia - e o fim da repressão. Insistimos: não são eventos isolados, é uma política do Estado", segundo comunicado da Universidade Academia de Humanismo Cristão, na qual Gatica estuda.

Embora a Polícia tenha anunciado, na semana passada, o fim do uso desse tipo de armamento, a Cruz Vermelha Chilena informou que continuou a atender pessoas feridas por esses objetos durante os protestos. / AFP            

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