Estudante é morto durante protesto no Chile

Segundo testemunhas, disparo que atingiu rapaz de 16 anos em Santiago partiu da polícia, que nega envolvimento

Reuters e Afp, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2011 | 00h00

Um estudante de 16 anos foi morto com um tiro no peito no início da madrugada de ontem na capital do Chile, Santiago, onde novos confrontos entre manifestantes e autoridades marcaram o fim da greve geral de 48 horas convocada pela Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), principal sindicato do país, e outras 80 entidades.

Testemunhas afirmaram ontem que o disparo que matou Manuel Eliseo Gutiérrez Reinoso partiu de um carro da polícia - que negou envolvimento no assassinato. Acompanhado de um amigo, Manuel caminhava em direção à manifestação que ocorria em seu bairro, pouco após a meia-noite de ontem, empurrando a cadeira de rodas de seu irmão, Gerson Gutiérrez Reinoso, de 23 anos, quando foi atingido pelo tiro.

"Eu vi os policiais atirarem e não sou a única testemunha", afirmou Gerson ao jornal chileno La Nación. De acordo com o relato, três disparos foram efetuados.

"Descarto categoricamente a participação de policiais (no assassinato). Sei que há testemunhas que afirmam ter visto um veículo no local, mas não entendo porque atribuem o carro à polícia", disse Sergio Gajardo, subchefe da corporação. Ele garantiu ainda que, em casos como os protestos de Santiago, apesar de portarem armas, os agentes são orientados a não disparar.

Novos protestos. De acordo com o analista político Ricardo Israel, a morte do adolescente "seguramente resultará em manifestações maiores no Chile". "Agora vem um momento muito complicado para o governo, que terá de lidar com muito cuidado com os próximos protestos", afirmou.

Com pedidos que vão desde uma reforma constitucional até a redução de impostos e o apoio às reivindicações estudantis por mais investimento em educação, a mobilização ameaça virar um protesto generalizado contra o presidente Sebastián Piñera, o líder mais impopular desde o general Augusto Pinochet - apenas 26% dos chilenos aprovam seu governo.

A greve geral também é a primeira de 48 horas desde o fim da ditadura, em 1990. Ontem, Piñera pediu novamente um diálogo com estudantes, pais e educadores do país.

Os organizadores afirmaram que 600 mil pessoas marcharam nas principais cidades do país durante a paralisação dos últimos dois dias. Segundo estimativa feita pela Reuters, os protestos reuniram pelo menos 200 mil manifestantes em Santiago.

Saldo oficial. De acordo com o governo chileno, 153 policiais e 53 civis ficaram feridos. Durante as 48 horas de manifestação, 1.394 pessoas foram presas em todo o país, segundo autoridades locais.

Ontem, novos focos de violência foram registrados na capital chilena. Manifestantes incendiaram veículos e levantaram barricadas, mesmo após o fim da greve, principalmente em bairros populares de Santiago. Alguns voltaram a saquear lojas, centros comerciais e a atacar a polícia com paus e pedras.

Novamente, a polícia utilizou gás lacrimogêneo e jatos d"água para dispersar os protestos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.