Estudantes agredidos acusam grupo chavista

Partidários de Chávez teriam entrado em confronto com universitários, ferindo 15; Assembleia discute lei que dará superpoderes a Chávez

, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Estudantes agredidos na quarta-feira durante um protesto contra o pacote de leis apresentado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, querem que a Promotoria denuncie os agressores - supostamente, partidários do presidente.

Segundo a imprensa venezuelana, as informações serão apresentadas para o Ministério Público nos próximos dias, de acordo com depoimento dos 15 estudantes agredidos durante o protesto principalmente contra a Lei de Universidades, que limita a autonomia e dá ao Estado controle excessivo nas instituições. Simpatizantes do governo lançaram pedras e cadeiras contra os manifestantes. Os agressores serão identificados por fotos e vídeos feitos no protesto diante da Assembleia Nacional.

José Francisco Valery, um dos dirigentes da Universidade Católica Andrés Bello, que participou do protesto, criticou a acusação da deputada chavista María De Queipo de que o confronto foi protagonizado pelos próprios estudantes. "Lamentamos que a violência seja a linguagem do governo", afirmou.

Corrida contra o tempo. A Assembleia Nacional, controlada pelos chavistas, acelerou seus trabalhos para sancionar um pacote de 12 leis apresentado por Chávez até o fim do ano.

Os deputados estavam reunidos ontem em sessão extraordinária para aprovar a Lei Habilitante, que permitirá a Chávez governar por decretos por um ano. A medida limitará a atuação dos novos deputados - um terço deles opositores -, que tomam posse dia 5. Da forma como foi redigida, a lei dará ao presidente o poder de legislar, sem consultar o Congresso, sobre o sistema de infraestrutura, transporte e serviços públicos, habitação, organização territorial, financeiro e tributário, cooperação internacional e sistema socioeconômico.

A maior parte das leis apresentadas já foi aprovada em primeira votação pela Assembleia. Ontem, foi a vez da lei de fidelidade partidária. O governo conseguiu ainda o aval em primeira votação para a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão (Resorte), incluindo o controle do conteúdo da internet; a Lei Orgânica de Telecomunicações, que deve considerar emissoras bens de utilidade pública, facilitando a expropriação; a Lei de Defesa e Soberania Política, que proíbe o financiamento internacional de organizações não governamentais e políticas. / REUTERS E AFP

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