Estudantes chilenos fazem greve por reforma educacional

Cerca de um milhão de estudantes chilenos uniram-se nesta segunda-feira à "greve social nacional", convocada pelos alunos do ensino médio que exigem uma reforma profunda no sistema educacional do Chile. Segundo os organizadores, poucos conflitos foram registrados.O movimento, que convocou 600 mil estudantes do ensino médio e 300 mil universitários, também contou com a participação de professores, que expressaram solidariedade para com as reivindicações. Segundo as lideranças, a convocação não inclui marchas nem mobilizações nas ruas, mas sim jornadas de reflexão e assembléias nos colégios. Alguns grupos de estudantes, no entanto, saíram às ruas em marchas pacíficas, enquanto outros protagonizaram distúrbios em alguns pontos da capital chilena. Até o momento, foram feitas cerca de 20 prisões.Em Santiago, um pequeno grupo de jovens, alguns encapuzados, levantaram barricadas no centro da avenida Bernardo O´Higgins e interromperam o trânsito local. Os manifestantes apedrejaram veículos da polícia, ônibus e automóveis que estavam estacionados perto do parque florestal, que fica ao lado da avenida. Os jovens foram dispersados pela polícia, que utilizou canhões d´água e bombas de gás lacrimogêneo.No porto de Valparaíso, a 120 quilômetros de Santiago, cerca de 5 mil pessoas, entre elas funcionários do porto, fizeram uma marcha pacífica até o edifício do Congresso Nacional, em respaldo às exigências estudantis.ReformaOs alunos do ensino médio lutam pela reforma da Lei Orgânica Constitucional de Ensino (Loce), imposta pela ditadura de Augusto Pinochet. A gratuidade dos exames vestibulares e do transporte público também estão entre as reivindicações dos estudantes.O governo anunciou na semana passada uma série de medidas que atendem à maioria das demandas, mas os estudantes continuam com os protestos nesta segunda-feira pois querem que seja criada uma comissão para reformar a lei estudantil questionada.A presidente chilena, Michelle Bachelet, anunciou que "entre hoje e amanhã enviará (ao Congresso) um projeto de lei que propõe uma completa reforma na Constituição para dar o direito a uma educação de qualidade à toda população".

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