Estudantes chilenos mantêm greve mesmo após reunião com o governo

Os estudantes do Ensino Médio chileno decidiram nesta quarta-feira manter, por tempo indeterminado, a greve que realizam, após a conclusão de uma negociação com o governo que se prolongou por mais de quatro horas e que continuará na quinta-feira. O anúncio foi feito em entrevista coletiva por César Valenzuela, um dos 25 dirigentes da Assembléia Coordenadora dos Estudantes do Ensino Médio, que participou da reunião que foi dirigida pelo ministro da Educação, Martín Zilic. "A convocação é a todos os nossos companheiros que participam da mobilização e àqueles que ainda não aderiram ao movimento: sigam nossas indicações e suspendam suas atividades nos colégios, sem sair às ruas", afirmou Valenzuela, sobre o protesto que está sendo levado adiante por cerca de 600 mil estudantes chilenos. Os líderes estudantis, que não deram maiores detalhes sobre as negociações com o governo, informaram apenas que foi agendada uma nova reunião com as autoridades do Ministério para quinta-feira. O ministro Zilic comentou que o governo espera que nesse encontro se chegue a um "denominador comum", fazendo referência a uma agenda que aparentemente inclui as exigências mais urgentes dos estudantes: a gratuidade das Provas de Seleção Universitária (tipo de vestibular) e do transporte público. "Estamos em um bom ponto de diálogo. Não podemos fazer disso (a greve) uma guerra, e sim uma boa oportunidade para melhorar a qualidade da educação", concluiu Zilic. A greve registrou vários incidentes, que deixaram cerca de dez feridos e pelo menos 510 detidos. A Biblioteca Nacional, em pleno centro de Santiago, e onde o ministro da Educação se reunia com os dirigentes estudantis, sofreu um "ataque" de gás lacrimogêneo lançado pela polícia, que tratava de dispersar os manifestantes, a bomba foi utiliazada do lado de fora da biblioteca. A greve estudantil, a maior dos últimos 34 anos, conta com o apoio de estudantes universitários, professores, funcionários da educação e associações de pais e representantes. Os incidentes nas ruas se intensificaram, e as versões da imprensa local e de testemunhas apontaram para provocações de policiais como fator de eclosão dos distúrbios. Os oficiais tentavam dispersar pela força passeatas pacíficas. Em outros casos, jovens que cantavam e gritavam palavras de ordem nos arredores de seus colégios em favor de suas reivindicações foram agredidos pela polícia, segundo as fontes. A repressão também atingiu jornalistas, câmeras e fotógrafos que cobriam os eventos no centro de Santiago. Vários profissionais de imprensa foram golpeados por oficiais da Polícia Militar chilena nas imediações do Palácio de La Moneda, sede do governo nacional. O subsecretário do Interior, Felipe Harboe, repudiou as agressões e disse aos jornalistas que tinha ordenado uma investigação interna na corporação militar para punir os responsáveis. O intendente (governador) de Santiago, Víctor Barrueto, justificou a repressão, no entanto, ao afirmar que interrupções do tráfego de veículos não poderiam ser toleradas na região.

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