REUTERS/Patrick T. Fallon
REUTERS/Patrick T. Fallon

Estudantes da Ucla se trancam em salas e montam barricadas

Centenas ficaram isolados dentro da universidade durante o ataque a tiros e a ação policial para procurar o suspeito de homicídio no câmpus

Almir Leite e Gonçalo Júnior, Enviados Especiais / LOS ANGELES, O Estado de S. Paulo

01 Junho 2016 | 20h59

Quando ouviram os tiros seguidos do alerta para que deixassem os prédios se fosse possível, muitos estudantes da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) entraram em pânico. Esta quarta-feira era o antepenúltimo dia de aula. Estavam pensando nas provas da semana que vem e nas férias. Uma parte tentou sair à rua, outra se trancou em suas salas de aula. Não sabiam ainda o que estava ocorrendo no câmpus.

Os que optaram por ficar nas salas, principalmente os que estavam no prédio da Engenharia, onde ocorreu o ataque a tiros, fizeram barricadas com carteiras, armários e até copiadoras, e prenderam as portas com cintos. “Eu fiquei trancada na minha sala de aula. A gente não sabia direito o que estava acontecendo’’, disse a estudante Geena Johnson à emissora ABC. “Foi assustador.’’

Quem conseguiu sair, como a turma que estuda no prédio de Ciências Matemáticas, próximo ao da Engenharia, encontrou dezenas de policiais ao alcançar as alamedas do câmpus.

Indiscriminadamente, homens e mulheres foram colocados ajoelhados, com os braços levantados em posição de rendição e, em seguida, revistados – inicialmente, a polícia, também sem detalhes do que estava ocorrendo, buscava por um homem e uma mulher “de aparências anglo-saxônicas”.

“É meio constrangedor ver colegas que você conhece bem sendo revistados, mas temos de entender que é por nossa segurança”, conformou-se Jordan Berdu, outro estudante da Ucla.

Vários alunos relataram a emissoras de TV locais que sua grande preocupação foi ligar para os pais e informar que estavam bem. Ou então falaram do alívio que sentiram ao avisarem pais, mães, irmãos e amigos que estavam a salvo.

Isolamento. No arredores da universidade, o clima também foi de tensão durante as pouco mais de duas horas de incerteza sobre a segurança das pessoas. Prédios de escritório e estabelecimentos comerciais foram fechados, comprometendo o movimento do almoço. Por cerca de três horas, nenhum carro teve acesso a dezenas de ruas e pedestres só podiam passar, em determinados pontos, após revista e com autorização da polícia.

Na universidade, o clima foi voltando ao normal a partir do momento em que se tornou oficial a informação de que o ocorrido foi um assassinato seguido de suicídio. Os alunos que estavam “presos’’ em suas salas ou dormitórios – centenas moram nas dependências do câmpus – começaram, então, a deixar seus esconderijos.

Apesar de a presença policial continuar intensa nas ruas e em alguns prédios e da atuação ostensiva dos investigadores, o movimento foi se normalizando, exceto por um aspecto: todas as aulas foram suspensas e serão retomadas nesta quinta-feira.

Longe dali, o ataque na universidade causou interesse, mas não comoção nem grande preocupação – em grande parte, graças à atuação da polícia e a rapidez com que foi informado que não era um ataque extremista ou com muitas vítimas. A vida em Los Angeles seguiu normalmente, com as pessoas acompanhando pela televisão e pelo rádio os acontecimentos. 

O trânsito nas principais avenidas e freeways continuou intenso e engarrafado como em qualquer dia da semana. No elegante e rico bairro de Manhattan Beach, a mais de 30 quilômetros da Universidade da Califórnia e onde a seleção brasileira de futebol se hospedou até esta quarta-feira, o ataque também foi recebido com grande normalidade.

As pessoas assistiam às cenas pela televisão em restaurantes e lojas, faziam algum comentário, mas não demonstravam tensão ou alarme. Apesar da tranquilidade aparente, a cidade inteira foi posta oficialmente em alerta durante a ação na Ucla.

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