Estudantes e sindicatos ameaçam fazer greve geral na França

As organizações estudantis e as principais centrais sindicais francesas, incluindo a Confederação Geral do Trabalho, lançaram neste domingo um ultimato ao presidente Jacques Chirac e ao primeiro-ministro Dominique de Villepin, dando prazo até a noite desta segunda-feira para que o governo anuncie a retirada imediata ou a suspensão da lei relativa ao Contrato do Primeiro Emprego (CPE), que reduz os direitos trabalhistas para incentivar a contratação de jovens. Estimulados pelo êxito das manifestações da última semana em toda a França, especialmente as de sábado em Paris e outras 160 cidades do país - que reuniram mais de 500 mil pessoas, segundo a polícia, e mais de 1 milhão, segundo os organizadores -, estudantes e sindicatos estão ameaçando uma greve geral em caso de resposta negativa. A greve já tem até data prevista - o dia 23 -, mas a paralisação deverá ser referendada por uma reunião da Intersindical prevista para esta segunda-feira à noite na capital. Villepin, porém, insistiu neste domingo que a lei (já aprovada pela maioria parlamentar) será mantida, embora tenha se disposto a receber os parceiros sociais para estudar a possibilidade de melhorar o texto legal. Estratégia A estratégia do governo consiste em apostar no cansaço dos manifestantes e esvaziamento do movimento, após uma semana de intensa mobilização. O porta-voz governamental Jean François Copé repetiu que o governo está disposto a dialogar e tem a mão estendida, ao contrário dos que ameaçam com um ultimato. Ele reafirmou que o objetivo é melhorar a lei, reconhecendo que o país atravessa uma grave crise social, um desdobramento do que já ocorreu na revolta dos subúrbios em novembro, quando 11 mil veículos foram incendiados em todo o país. A idéia da greve geral ganhou corpo ontem, após reuniões separadas dos sindicatos e dos estudantes. A decisão será conhecida na noite desta segunda-feira, após ter se esgotado o prazo dado ao governo para a retirada do CPE, criticada pela grande maioria dos estudantes e assalariados. Uma série de pesquisas divulgadas no fim de semana indica que de 60% a 70% das pessoas ouvidas exigem a retirada da lei. Para o líder da União Nacional dos Estudantes Franceses, Bruno Julliard, cabe ao governo dar o próximo passo para resolver a crise. Segundo ele, a cada dia aumenta o número de manifestantes e há grande potencial para manter a mobilização nas ruas. Michele Biagi, dirigente da central sindical Força Operária, insiste na greve geral, caso o governo não se sensibilize com a advertência das ruas. O ex-primeiro-ministro Raymond Barre abandonou seu silêncio para dizer que ?não se governa sob pressão da rua?. Jean-Marc Icard, dirigente da Confederação Francesa dos Trabalhadores Cristãos (CFTC), respondeu que ?o protesto da rua deve ser levado em conta numa decisão dessa natureza, na medida em que representa a voz do povo?. O presidente da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT, uma das centrais sindicais mais moderadas), François Cheréque, também concorda com o princípio de uma greve geral para dobrar o governo e obter satisfação à reivindicação dos jovens assalariados e estudantes.

Agencia Estado,

19 Março 2006 | 19h19

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