Joe Cavaretta/South Florida Sun-Sentinel via AP
Joe Cavaretta/South Florida Sun-Sentinel via AP

Estudantes enfrentam medo e retornam à escola que foi atacada na Flórida

Prédio onde a maior parte das vítimas morreu permanecerá fechado por tempo indeterminado; vizinhos e ex-alunos receberam os jovens no colégio e os animaram com cartazes

O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 15h06

PARKLAND, EUA - Estudantes e professores traumatizados por um dos ataques a tiros mais letais da história moderna dos EUA voltaram às aulas nesta quarta-feira, 28, usando laços e rosas brancas para homenagear as 17 vítimas do massacre ocorrido em uma escola na Flórida no dia 14.

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A escola Marjory Stoneman Douglas reabriu a maioria de suas salas para cerca de 3 mil estudantes às 7h40 (locais). O prédio onde a maior parte das vítimas morreu, no entanto, permanecerá fechado por tempo indeterminado.

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Centenas de vizinhos e ex-alunos do estabelecimento também estavam presentes para receber os estudantes e animá-los com cartazes como "Nós amamos vocês" ou "Estamos com vocês". "Há pessoas de todas as partes do mundo que estão se comunicando com a gente. É bom ver que as pessoas querem e vieram ajudar uma comunidade", afirmou Emily Quijano, de 16 anos.

Nicholas Rodrigues, um estudante de 15 anos que mora em Coral Springs com seus pais e duas irmãs, disse que percorreu o caminho até a escola a pé ao invés de ir de bicicleta, porque “queria pensar sobre as coisas”.

Ônibus escolares chegaram pouco depois das 7h, com centenas de policiais a postos para acompanhar os estudantes, vestindo as cores da escola - branco e vinho - para que os alunos se sentissem seguros.

Fred Guttenberg, cuja filha Jamie foi uma das vítimas do massacre, disse não sentir medo por seu outro filho, também estudante da Marjory Stoneman Douglas, porque a escola seria agora a mais segura dos EUA.

“Mas é triste porque meu filho entra lá sem sua irmã”, afirmou Guttenberg à emissora CNN. “Isso não é o que imaginamos para nós mesmos vendo nossos filhos passando pelo ensino médio”, disse ele.

"Não tenho medo", ressaltou Sean Cummings, estudante de 16 anos. "Só acho que é estranho voltar depois de tudo que aconteceu", admitiu o jovem. "Sinto que estamos mais bem protegidos do que em qualquer outra escola, mas impressiona muito voltar a ver todo o mundo neste lugar e todos esses policiais", acrescentou.

Ainda assim, ele está feliz com o retorno. "É bom que todo o mundo esteja aqui. Acho que será bom voltar a ver todos os meus professores. É bom regressar", comentou.

Trauma

"Pode ser muito difícil para eles voltarem às aulas", afirmou a psiquiatra Nicole Mavrides, da Universidade de Miami e integrante da equipe de Ciências do Comportamento que enviou terapeutas a Parkland.

"Mas é preciso dizer a eles que ninguém está esperando que seja fácil, é preciso dizer a eles que tudo bem que sintam medo, e tudo bem que sintam raiva", afirmou Mavrides.

Os professores voltaram alguns dias antes ao colégio para se preparar e, no domingo, a instituição organizou um dia de orientação para permitir que pais e estudantes recuperassem as coisas que deixaram para trás em meio ao pânico no dia do ataque.

Parlamentares do Estado estão considerando um projeto de lei que arcaria com a demolição do prédio 12 da escola e o substituiria por um memorial para as vítimas do massacre. / REUTERS e AFP

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