Estudantes franceses protestam contra reforma do governo

Mais determinados do que nunca, os estudantes franceses estão dispostos a realizar nesta quinta-feira seu segundo dia de ações programadas esta semana contra o novo e polêmico contrato para os jovens, o CPE, que o governo conservador se nega a retirar. Com cerca de 70% das universidades e dezenas de institutos bloqueados ao meio-dia desta quinta-feira e manifestações previstas em toda a França, esta quinta-feira se mostra como uma verdadeira prova de força para o governo. Uma queda-de-braço que pode mudar o destino do primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, que, apesar da queda de popularidade nas pesquisas, não está disposto a dar o braço a torcer nesta reforma trabalhista que ele promoveu pessoalmente. A pressa inimiga Villepin reconheceu, em entrevista publicada nesta quinta-feira pela revista Paris-Match, que "é verdade" que quis "ir rápido" no CPE, mas se mostrou convencido do bem criado por essa medida, e disse que a defenderá "até o fim". Villepin, que conta com o apoio do presidente Jacques Chirac nesta frente que chama de sua "batalha pelo emprego", terá a oportunidade de renovar esta tarde sua oferta de diálogo aos sindicatos, também contrários ao CPE, por considerá-lo uma institucionalização da precariedade. O ministro delegado de Emprego, Gérard Larcher, disse nesta quinta-feira que a porta está "aberta" para negociar "alterações" do CPE, principalmente no que diz respeito ao período de experiência de dois anos. O ministro da Educação, Gilles de Robien, lembrou nesta quinta-feira aos estudantes que o CPE, que permite a demissão dos menores de 26 anos no período de experiência, não os afetará nos próximos anos, e pediu a eles que pensem nos jovens que "estão desempregados agora". Um raciocínio que não teve grandes repercussões entre os milhares de estudantes que já começaram a se manifestar em diversas cidades francesas. Em Marselha, entre 7 e 15 mil manifestantes foram às ruas, entre eles professores. No entanto, as atenções estão voltadas para a marcha organizada em Paris, que começou às 14h (10h em Brasília). Espera-se que entre 500 mil e 1 milhão de pessoas participem das manifestações de estudantes desta quinta-feira e da de profissionais convocada para sábado contra o CPE. E, se o governo também se mostra inflexível nesse ponto, o principal sindicato de estudantes, a Unef, tomou uma atitude idêntica. "Nada é possível sem a retirada do contrato de nova contratação (CPE), pelo menos para os estudantes", disse nesta quinta-feira o presidente da Unef, Bruno Julliard, que se mostrou convencido de que "o governo não poderá permanecer nesta postura inflexível" se as mobilizações desta quinta-feira forem bem-sucedidas, o que deve acontecer. Seu único temor é que possam ocorrer distúrbios, que Julliard atribui a elementos alheios ao movimento estudantil. As autoridades também temem que jovens dos bairros periféricos conflituosos possam participar das manifestações com o intuito de entrar em choque com agentes antidistúrbios, a que o ministro do Interior francês, Nicolas Sarkozy, pediu que dêem exemplo de "contenção, sangue frio e estrito respeito aos deveres profissionais". Volta às aulas Os ânimos também começam a ficar alterados entre os estudantes grevistas e os que são favoráveis à volta às aulas. Esta manhã, dois grupos da universidade Arsenal de Toulouse, no sul da França, entraram em choque, e a faculdade em questão teve que ser fechada. Começa a tomar forma um grupo antibloqueio, que apresentou à Justiça recursos em Paris, Grenoble, Rennes, Tours e Lille, e um pedido a favor da retomada das aulas reuniu mais de 36 mil assinaturas. No entanto, os opositores ao CPE obtiveram nesta quinta-feira o apoio de uma personalidade inesperada: o arcebispo de Dijon, Roland Minnerath, que estimou que o contrato "atenta contra os direitos das pessoas".

Agencia Estado,

16 Março 2006 | 12h36

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