Estudantes jogam bombas de chocolate em consulado americano

Depois dos protestos nas capitais mineira, baiana e paranaense, nesta sexta-feira pela manhã foi a vez de estudantes secundaristas e universitários de São Paulo saírem às ruas para protestar contra a guerra no Iraque. Liderados por representantes das principais entidades estudantis, cerca de 4mil estudantes, segundo a Polícia Militar (11 mil, segundo os organizadores) marcharam pela Avenida Paulista em direção ao Consulado dos Estados Unidos e pediram paz, em uma passeatapacífica e simbólica.A manifestação terminou com um "bombardeio" de bombas de chocolate contra o consulado e umachuva de pétalas de rosas brancas. Os estudantes começaram a se concentrar no vão livre do Masp às 9 horas. A passeata saiu por volta das 11h30 e seguiu pela Avenida Paulista.O trânsito parou nos dois sentidos, segundo a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), e só voltou ao normal depois que os manifestantes entraram na Rua Padre João Manoel, ao meio-dia."Com certeza a manifestação de São Paulo já é oprincipal ato pela paz promovido pelos estudantes", disse o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Felipe Maia. O representante da União Brasileira do EstudantesSecundaristas (Ubes), Juremar de Oliveira, ressaltou que este não foi um ato isolado. Na quarta-feira houve passeata em Belo Horizonte, Curitiba e Salvador."Só em Minas cerca de 8 mil estudantes participaram da manifestação", garantiu. "Um garoto de 13 anos, em Belo Horizonte, me disse que estava lá porque não gostaria que o Brasil fosse atacado. Daí a gente pode perceber que as pessoas estão conscientes dessa atrocidade que é a guerra."O presidente da União Paulista dos EstudantesSecundaristas (Upes), Euzébio Jorge, estimou que mais de 11 mil pessoas participaram do protesto desta sexta. Ele disse que em fevereiro um grupo de estudantes ficou quatro dias acampado naPraça da República para protestar contra o início da guerra. "Queremos que as pessoas saibam que podem fazer algo contra essa guerra injustificável."As entidades acreditam que não há motivos para a guerra, e o presidente americano George W. Bushquer demonstrar poder e conquistar o controle do petróleo daquela região.Debaixo de chuva e com a palavra paz estampada no rosto, os estudantes paulistas queimaram a bandeira americana e deixaram seu recado. "A gente tem inteligência para dialogar, não para matar pessoas por causa de petróleo", defendeu Tarsila Fraga Leite, de 15 anos, aluna do Colégio Caetano de Campos, no Centro. Ela e a amiga, Milena Stockmanns, participaram pelaprimeira vez de um ato público. "Esperamos que alguém nos escute."O estudante Danilo Saraiva, de 16 anos, aluno da Escola Técnica Estadual, acredita que toda manifestação é válida, apesar de estar ciente dos poucos resultados práticos. "Cada um tem que fazer sua parte. Ficar em casa é que não vai mudar nada mesmo. Hoje é o Iraque, amanhã pode ser o Brasil", dizia Danilo.O Comitê Juventude Contra a Guerra programou para este sábado, a partir das 12h30, na Praça da Sé, uma nova manifestação, desta vez com shows de reggae, rock, MPB e hip hop.O Consulado dos EUA em São Paulo funcionou nesta sexta das 8 às 11 horas e fechou as portas por causa da manifestação. Mesmo assim, a PM deslocou 70 homens para garantir a segurança. Segundo a assessoria de Imprensa, o consulado deveabrir normalmente na segunda-feira.Veja o especial :

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