AFP PHOTO / DIANA ULLOA
AFP PHOTO / DIANA ULLOA

Estudantes na Nicarágua chamam Ortega de 'assassino' e pedem sua renúncia

Missão da CIDH chega ao país para diálogo entre governo e manifestantes que será retomado na sexta-feira; desde abril, protestos deixaram cerca de 60 mortos

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2018 | 19h45

MANÁGUA - Uma missão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) chegou nesta quinta-feira, 17, à Nicarágua em meio a uma grave crise política e social no país. Há um mês, o país tem intensos protestos que já deixaram cerca de 60 mortos e 500 feridos.

A visita da CIDH foi uma das condições da Igreja Católica, dos estudantes e outros setores sociais para participarem de um diálogo com o governo do presidente Daniel Ortega e sua vice, também sua mulher, Rosario Murillo. 

Com gritos de “assassino” e pedidos de renúncia de Ortega, a Nicarágua iniciou nesta semana uma tentativa de diálogo entre governo e manifestantes para aliviar tensões no país centro-americano.

Na quarta-feira, Ortega se encontrou com opositores, em debate organizado pela Igreja Católica da Nicarágua, para tentar negociar uma saída do ciclo de violência e da crise social que contesta o seu regime. 

+ Desafiando o duradouro governo de um revolucionário

Acompanhado de Rosario, o ex-guerrilheiro teve de enfrentar a resistência, a revolta e os insultos dos presentes. As conversas serão retomadas na sexta-feira, 18.

“Esse não é um espaço de diálogo”, disse um estudante a Ortega, 72 anos, logo no início do primeiro encontro, televisionado em rede nacional. “É um espaço para negociar a sua saída”. 

Horas antes, dois estudantes foram mortos em ataque armado contra a Universidade Politécnica da Nicarágua (Upoli). No estacionamento de um aeroporto, segundo a agência Reuters, pessoas ouviam em silêncio a transmissão do evento pelo rádio enquanto uma mulher lia o nome dos manifestantes mortos. A resposta, para cada um deles, era “presente!”. 

Os protestos começaram em 19 de abril, na capital Manágua, contra reformas na Previdência Social e na Saúde que pretendiam aumentar impostos. Estudantes universitários foram os primeiros a ir às ruas. Mas, após violenta repressão por parte das forças do regime, as manifestações se espalharam pelo país e subiram de tom, com dezenas de milhares de nicaraguenses passando a exigir a renúncia de Ortega. 

Mortes. Até mesmo concessões do governo, como retroceder nas reformas, não foram suficientes para aliviar tensões nas ruas. O número de mortos, em meio aos protestos, disparou. 

O Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) calculou que entre 54 e 58 pessoas morreram desde o início das manifestações. Outras organizações humanitárias contam 65 mortes. Além dos estudantes, constam entre as vítimas dois policiais e um jornalista.

Daniel Ortega assumiu pela primeira vez a presidência da Nicarágua em 1979, depois de revolucionários Sandinistas, de inspiração marxista, derrubarem a ditadura de Anastasio Somoza. 

Ortega liderou o país ao longo da década de 80, em meio a guerra civil contra grupos - os chamados “Contras” -  apoiados pelos Estados Unidos. Terminado o conflito, perdeu eleições em 1990 e 2001. Elegeu-se novamente em 2007. Críticos o acusam de concentrar poderes e tentar construir uma ditadura familiar. / EFE, REUTERS e NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.