Tyrone Siu/Reuters
Tyrone Siu/Reuters

Estudantes prometem permanecer nas ruas em Hong Kong

Líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, afirmou no domingo que a polícia ainda não decidiu a data de intervenção

O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 18h25

HONG KONG - Grupos de estudantes pró-democracia decidiram permanecer nas ruas, contrariando as recomendações do governo de desmontar os acampamentos. "A nossa decisão é não nos retirarmos neste estágio da luta", afirmou a porta-voz da Federação de Estudantes de Hong Kong, Yvonne Leung, de 21 anos.

A decisão da entidade foi a mesma do movimento de estudantes do ensino médio, chamada Scholarism, liderada por Joshua Wong, de 18 anos. "Esperamos que o governo vá dialogar com os estudantes", disse Wong.

A posição dos jovens aumentou as chances de um confronto violento com a polícia, que tem planos de desocupar o principal acampamento estudantil, onde centenas de barracas ocupam a borda de uma das principais vias da cidade. Os policiais tem usado cada vez mais força em suas ações contra os estudantes, incluindo a desocupação do segundo maior acampamento, há duas semanas.

O líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, afirmou no domingo que a polícia ainda não decidiu a data de intervenção. "Temos que ter em mente (...) enquanto os protestos ilegais estão para acabar, que as pessoas que continuarem ali serão cada vez mais radicais. Então eu faço um apelo aos jovens, especialmente aos estudantes, para deixarem o local o mais cedo possível", ele disse.

As ações da polícia das últimas semanas foram pedidas por empresa de ônibus e de táxi, que alegam prejuízo financeiro com a situação. Um advogado representante de uma empresa de ônibus afirmou nesta segunda-feira que a polícia pode executar a ordem já na terça-feira.

Líderes estudantis afirmam que a decisão foi tomada depois que ficou claro que, mesmo que os grupos de estudantes se retirem dos acampamentos, muitos manifestantes se manteriam ali e enfrentariam a polícia. Os grupos estudantis têm lutado para conter as várias facções entre os manifestantes que defendem uma ação mais agressiva e violenta contra o governo. "Nós pedidos aos manifestantes que não ataquem os policiais", afirma Oscar Lai, um porta-voz da Scholarism. "Se nós provocarmos, os policiais terão uma desculpa para limpar toda a área", disse.

Os manifestantes pedem o direito dos moradores de Hong Kong de escolher os candidatos para o mais alto posto da administração da cidade. Eles rejeitam um decreto de Pequim que dá a um comitê nomeador a prerrogativa de escolher os candidatos. A cidade de Hong Kong vai eleger em 2017 um novo líder para um mandato de cinco anos. / Dow Jones Newswires

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