BelaPAN via REUTERS
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Estudantes protestam contra Lukashenko na abertura do ano letivo

Presidente sofre com protestos populares há quase um mês; Cuba declara apoio ao governo bielo-russo

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2020 | 10h00

MINSK - Centenas de estudantes participaram de uma marcha em Minsk, capital da Bielo-Rússia, em protesto contra presidente do país, Alexander Lukashenko, nesta terça-feira, 1º. O ato, realizado na abertura do ano letivo, acabou com jovens presos pelas forças de segurança do governo.

A polícia prendeu vários jovens durante a manifestação, enquanto tentavam formar uma corrente humana na região central da cidade. "Fascistas", "Esta é a nossa cidade", "Acreditamos, podemos, chegaremos lá", gritavam os estudantes.

A passeata, organizada no tradicional dia de volta às aulas, reuniu estudantes de várias universidades de Minsk. A juventude bielo-russa tem sido um dos pilares da mobilização contra Lukashenko, desde sua recente reeleição em 9 de agosto, considerada fraudulenta por seus adversários.

O resultado do pleito deflagrou uma onda de protestos sem precedentes contra o líder do país, que está no poder desde 1994. Há três domingos consecutivos, ocorrem manifestações de cerca de 100 mil pessoas cada apenas na capital.

As autoridades rejeitam qualquer diálogo com a oposição e aumentaram as detenções de políticos e de jornalistas.

Depois de deixar três mortos e dezenas de feridos, a violência policial registrada contra os manifestantes nos primeiros dias de protestos diminuiu.

Até agora, Lukashenko mencionou vagamente um projeto de reforma constitucional para tentar sair da crise. Além de descrever os manifestantes como "ratos", exibiu-se em um colete à prova de balas e com um rifle de assalto ao lado de forças do Batalhão de Choque que acompanham os protestos.

Últimos aliados

Alvo de manifestações há quase um mês, Lukashenko vem sofrendo uma forte pressão internacional após denúncias graves de fraude nas eleições presidenciais, realizadas no mês passado. No cenário global, o presidente preserva alguns poucos apoiadores, como Vladimir Putin - líder do principal poderio bélico da região - e do governo de Cuba, que se manifestou favoravelmente nesta terça.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, publicou em suas redes sociais uma foto ao lado de Lukashenko, e disse se solidarizar com o presidente legítimo da Bielo-Rússia.

"Cuba rechaça a ingerência externa contra a soberania e autodeterminação da Bielo-Rússia. Reiteramos nossa solidariedade com o presidente legítimo desse país, Alexander Lukashenko, e com o povo irmão bielo-russo", escreveu./ Com informações da AFP 

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