Estudantes protestam contra reformas na França

Milhares de secundaristas euniversitários fizeram manifestações na quinta-feira em cidadesde toda a França contra uma reforma educacional que, segundoeles, levará à privatização das melhores universidades. Esse é mais um desafio ao programa de reformas dopresidente Nicolas Sarkozy, eleito neste ano. A entidade estudantil Unef disse que 48 das 85universidades francesas pararam total ou parcialmente, na maiorparalisação desde o início dos protestos, no começo do mês. EmParis, cerca de 12 colégios também aderiram ao movimento,segundo a entidade. Uma lei aprovada em julho dá às universidades maior grau deautonomia universitária, mas também permite um maiorfinanciamento privado. As entidades estudantis dizem que isso permitiria que asgrandes corporações ditassem os rumos dos cursos e financiassemapenas algumas poucas instituições de elite. O governo afirma que o movimento tem motivação política, eSarkozy se recusou nesta semana a retomar o debate. " Não à privatização", gritavam os estudantes em umamanifestação com forte policiamento em Paris. Os organizadoresdisseram ter reunido 5.000 estudantes; a polícia diz que foram2.400. Em Lyon, segunda maior cidade do país, havia 4.000participantes. Foram registrados também cerca de 2.000 emBordeaux e 1.000 em Rennes. As manifestações estudantis coincidem com uma greve detransportes, que chegou ao nono dia, mas está perdendo fôlego,já que a maioria dos ferroviários finalmente decidiu voltar aotrabalho. Eles protestavam contra uma reforma previdenciáriaque extingue privilégios de funcionários públicos. Membros do governo temiam que a greve dos transportes e ados estudantes acabassem se unindo num efeito bola-de-neve queenglobaria outros setores contra as reformas. Sarkozy diz que a reforma universitária é essencial paraacabar com anos de negligência no ensino superior. As universidades francesas decaíram nos rankingsinternacionais nos últimos anos. Muitas estão superlotadas, semverbas, com instalações ultrapassadas e perdendo seus melhoresquadros para empregos mais bem pagos no exterior. Até alguns intelectuais influentes de esquerda apoiaram areforma do governo e criticaram o movimento estudantil.

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