Estudantes voltam a ocupar Mesquita Vermelha no Paquistão

Novo protesto ocorre duas semanas após cerco que matou 100; policiais tentam conter manifestantes

Agências internacionais,

27 Julho 2007 | 09h44

Centenas de estudantes religiosos voltaram a ocupar a Mesquita Vermelha de Islamabad nesta sexta-feira, 27, e exigiram o retorno de um clérigo pró-Taleban para o templo religioso. O movimento acontece duas semanas após o cerco que deixou mais de 100 mortos.   Veja também: Explosão em hotel próximo de mesquita mata 13 no Paquistão Entenda a violência na Mesquita Vermelha do Paquistão   Os manifestantes atiraram pedras contra os policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar o tumulto, após a negação dos estudantes em terminar o protesto de forma pacífica. Muitos estudantes se protegeram dentro da mesquita.   O confronto começou quando os estudantes radicais impediram a realização das tradicionais orações de sexta-feira na mesquita, aberta pela primeira vez desde a invasão do Exército, informou uma fonte oficial. Os seguidores do clérigo radical Rashid Ghazi, morto na invasão do último dia 10, impediram que o novo líder nomeado pelo governo, Ashfaq Ahmed, iniciasse as orações.   Acompanhados por familiares dos estudantes que continuam desaparecidos após a invasão militar do templo os radicais entoaram cânticos contra o presidente, o general Pervez Musharraf. Após tomar o controle da mesquita, os estudantes reivindicaram pelos alto-falantes a libertação do irmão de Rashid Ghazi, Abdul Aziz, que está preso e é acusado de terrorismo.   Radical   Aziz, o principal dirigente do centro, foi capturado no dia 6, quando tentava escapar da mesquita escondido sob uma burca, dias antes do início da invasão da mesquita e das escolas islâmicas anexas em uma operação chamada de "Silêncio".   Após ser expulso do centro religioso, Ashfaq Ahmed disse à imprensa que tinha recusado a incumbência de ser líder das orações na Mesquita Vermelha e que o Governo tinha assegurado a ele que estas aconteceriam em um ambiente pacífico. "Jamais liderarei as orações na Mesquita Vermelha, após ter experimentado a pior humilhação da minha vida nas mãos dos estudantes", declarou.   Após tomarem o templo, os estudantes começaram a pintar os muros do edifício com a cor pela qual era conhecido, o vermelho, já que, após a invasão, a administração tinha pintado o edifício com tonalidades esbranquiçadas.   Os radicais ainda subiram no teto do centro religioso, onde içaram bandeiras com slogans a favor da jihad (guerra santa). "Musharraf é um cachorro", "Matem o cachorro" e "Abaixo o ditador" foram alguns dos gritos proferidos pelos estudantes, defensores de Rashid Ghazi.   Explosão   Uma forte explosão atingiu um mercado a cerca de 500 metros da mesquita. Ainda não há confirmação de que o incidente tenha ligação com o protesto dos estudantes.   A Mesquita Vermelha é conhecida como um reduto de radicais islâmicos, mas virou notícia este ano quando estudantes vestidas com burcas e seus colegas lançaram uma agressiva campanha para impor uma cultura ao estilo da milícia Taleban em Islamabad.   O ataque desta sexta começaram de forma bastante semelhante à primeira ocupação do tempo. Em 3 de julho, durante uma campanha de estudantes pela lei islâmica Sharia, estudantes atacaram um posto policial próximo à mesquita. O que se seguiu foram batalhas de rua, entre policiais que atiravam gás lacrimogêneo e jovens armados, os quais usaram a mesquita como refúgio.   Na última quarta-feira, 25, o governo anunciou a demolição de uma madrassa (escola religiosa) dentro do complexo, cuja estrutura ficou bastante abalada pelos confrontos.   Matéria ampliada às 11h20

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