Estudo alerta para uso de armas sofisticadas por terrorista

Um novo estudo britânico alerta para a possível utilização de armamentos químicos, biológicos ou nucleares mais sofisticados por grupos terroristas e recomenda aos governos uma estratégia antiterrorista que leve em conta estas ameaças. O relatório foi publicado nesta quinta-feira pelo Instituto Britânico de Relações Internacionais, conhecido como Chatham House.A preocupação com possíveis ataques pode fazer com que os governantes fixem sua atenção quase exclusivamente em um tipo de ameaça, relegando as demais a segundo plano. Essa é uma estratégia arriscada, porque os terroristas poderiam utilizar outros meios e escolher alvos diferentes, segundo os autores do estudo.Embora reconheçam que a possibilidade de um ataque terrorista com armas de destruição em massa é "remota", suas conseqüências seriam"devastadoras e não devem ser descartadas porque sua probabilidade é considerada remota demais para ser levada em conta"."As armas químicas, biológicas ou radiológicas mais básicas, e até mesmo algum artefato nuclear improvisado, podem ser tentadores" para um grupo terrorista, afirma o relatório.Para os autores do estudo, as diferentes armas de destruição em massa são parte de um "sistema" à disposição de todo tipo de grupos terroristas, "dos maiores até os menores, dos praticamente improvisados até os mais organizados, dos mais pobres até os mais bem financiados".Segundo seus autores, é importante que os governos enfrentem o que qualificam de "sensação desmoralizante de estar indefeso". Eles acrescentam que a compreensão dos cidadãos deve ser "proporcional à ameaça, antes e depois de um ataque" terrorista.O relatório da Chatham House explica detalhadamente quais são os diferentes tipos de armas de destruição em massa, o que um grupoterrorista pode fazer com elas e analisa a gravidade do perigo de sua eventual utilização.Armas químicasA respeito das armas químicas, que alguns qualificaram como "arma atômica dos pobres", o relatório afirma que, apesar de sua produçãoem grande escala ser difícil, seria fácil para um grupo terrorista bem organizado e bem financiado esconder e transportar artefatos pequenos desse tipo.A vulnerabilidade dos cidadãos às armas químicas de conseqüências letais, especialmente os agentes nervosos como o gás sarin, é evidente desde os ataques terroristas de meados dos anos 90, emTóquio.A probabilidade de um ataque desse tipo, ainda que em pequena escala, provocar uma reação de pânico desproporcional na população poderia fazer com que os perigos e o custo de fabricação de armasquímicas valessem a pena para alguns grupos terroristas.Armas biológicasAs armas biológicas, que empregam microorganismos e toxinas, são mais fáceis de adquirir e fabricar do que as nucleares, descreve o estudo britânico.Segundo o relatório, este tipo de arma teria maior impacto na consciência pública e política do que as químicas. Por isso, muitos consideram que elas poderiam se transformar nas favoritas dosterroristas.Armas radiológicasA utilização de armas radiológicas, que podem espalhar material radioativo por uma ampla área utilizando algum engenho explosivo - achamada "bomba suja" - e que podem ser fabricadas com material radioativo procedente da indústria, de hospitais ou de laboratórios de pesquisa, teria conseqüências políticas e econômicas graves, mas o efeito imediato de um ataque desse tipo seria limitado.Apesar disso, um ataque radiológico provocaria pânico e a possibilidade de contaminação radiológica causaria ansiedade generalizada, afirma o relatório.O estudo considera ainda que, apesar de a construção e o manejo de uma arma desse tipo apresentarem riscos para os terroristas, osdesafios técnicos de sua fabricação não são insuperáveis.Ataque nuclearPor último, o relatório menciona a possibilidade de um ataque nuclear. Ele poderia ser realizado com uma bomba comprada ou fabricada pelos terroristas, ou com uma ofensiva a uma usina nuclear com meios convencionais, como o impacto de um míssil.Os efeitos de um ataque desse tipo são bem conhecidos: um elevado número de mortes e a devastação de áreas inteiras, além da destruição dos sistemas de comunicações por ondas eletromagnéticas.Os autores destacam o temor de que grupos ou indivíduos terroristas, encorajados por uma visão religiosa ou apocalíptica, pensem na possibilidade de utilizar uma arma nuclear, pelo impacto"fortemente simbólico" e o caráter espetacular de um ataque desse tipo.

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