Estudo alerta que faz mal ser rico

Graças ao progresso econômico e ao consumismo, as pessoas das nações desenvolvidas geralmente comem melhor e vivem com mais conforto, mas sua saúde e seu ambiente estão em franca deterioração, segundo afirma um estudo divulgado nesta quinta-feira. Enquanto os habitantes de nações desenvolvidas comem praticamente tudo o que querem, quem habita o Terceiro Mundo ainda passa fome, conclui o informe do Worldwatch Institute intitulado "Sinais Vitais 2001: as tendências que dão forma ao futuro". "Estamos encontrando cada vez mais evidências de que as opções de estilo de vida - centradas no consumo - dos países desenvolvidos com freqüência são insanas para nós e para o planeta em que vivemos", afirma Michael Renner, diretor do projeto. O Worldwatch, uma organização de Washington que investiga as tendências globais da economia e o ambiente, trabalhou este ano em cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente para produzir seu 10º informe desde 1992. Graças ao crescimento econômico norte-americano de 5,2% em 2000, a economia global cresceu 4,7% no mesmo período. Entretanto, segundo o estudo, 1,2 bilhão de pessoas vivem em absoluta pobreza e mais de 1 bilhão não têm o suficiente para comer. Por outro lado, ainda de acordo com a pesquisa, um bilhão de pessoas comem demais, e contribuem com a "epidemia global de obesidade".Os Estados Unidos encabeçam a lista de países com habitantes obesos, tanto de homens como de mulheres - 61% dos adultos do país. O uso cada vez maior de automóveis - 532 milhões em 2000 - vem levando a estilos de vida menos ativos e danificando o ambiente, com um aumento significativo na emissão de dióxido de carbono. Os Estados Unidos, a maior e única potência do mundo, são responsáveis por 24% das emissões totais de gases. Ao mesmo tempo, o ecossistema está em perigo, segundo a Worldwatch. "A diminuição dos bosques, a obstrução dos rios, a drenagem de zonas pantanosas, a contaminação por grandes quantidades de substâncias tóxicas e materiais com um tempo de decomposição muito longo, assim como a desestabilização do clima são fatores que têm contribuído com o desequilíbrio do complexo sistema de segurança ecológica da Terra". Além disso, apesar do desenvolvimento da indústria farmacêutica, que aumentou seu faturamento de US$ 132 bilhões para US$ 337 bilhões de 1983 até hoje, um terço da população mundial não tem acesso aos medicamentos básicos, conclui o estudo.

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