Estudo aponta genes como maior causa da obesidade infantil

A dieta e o sedentarismo têm um papelbem menor que a genética no que diz respeito à obesidadeinfantil, segundo um estudo britânico feito com gêmeos epublicado na quinta-feira. Em artigo na revista American Journal of ClinicalNutrition, os pesquisadores concluíram, após analisar mais de5.000 pares de gêmeos, que os genes respondem por cerca de trêsquartos das diferenças no diâmetro da cintura e no peso de umacriança. "Ao contrário da pressuposição disseminada de que oambiente familiar é o fator-chave em determinar o ganho depeso, descobrirmos que esse não era o caso", disse Jane Wardle,diretora de pesquisas sobre câncer do Centro do Comportamentoda Saúde do Reino Unido, responsável pelo estudo. Pesquisas anteriores citavam os problemas ambientais comomaior causa da obesidade, um problema mundial e que, na idadeadulta, pode levar ao desenvolvimento da diabete tipo 2, decâncer e de problemas cardíacos. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 400milhões de pessoas no mundo sejam obesas, metade delas commenos de cinco anos de idade. A equipe britânica avaliou gêmeos idênticos, com a mesmacomposição genética, e os comparou com gêmeos bivitelinos, quesó têm metade dos genes iguais. Uma análise estatística concluiu que as diferenças noíndice de massa corporal e na circunferência abdominal dascrianças eram em grande parte (77 por cento) consequência dosgenes, e apenas 23 por cento consequência do ambiente. "Esses resultados não significam que uma criança com umaalta dose de 'genes suscetíveis' vá ficar inevitavelmente acimado peso, e sim que a sua carga genética lhe dá umapredisposição maior", disseram os pesquisadores. "Este estudo sugere que é errado depositar toda a culpapelo ganho excessivo de peso de uma criança sobre os pais",disseram os pesquisadores. (Reportagem de Michael Kahn)

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