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Estudo aponta que desertores do Estado Islâmico estão fartos de matar muçulmanos

Desde o começo do ano passado, 58 pessoas deixaram o grupo e falaram sobre o tema; muitos destacam a incapacidade da organização de confrontar o regime sírio

O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 14h47

BRUXELAS - É cada vez maior o número de combatentes da organização jihadista Estado Islâmico que estão desertando, desiludidos com os massacres de muçulmanos e com a corrupção, afirma um estudo publicado nesta segunda-feira, 21.

Ao menos 58 pessoas deixaram a organização e falaram publicamente sobre o tema desde janeiro de 2014, segundo um estudo do Centro de Pesquisas da Radicalização (ISCR) do King's College de Londres.

Ele afirma que 17 desertaram em junho, julho e agosto, e que eles representam apenas "uma pequena fração" do número total, porque a maioria teme falar.

O ISCR pediu aos governos que facilitem o testemunho dos desertores e não os ameacem com detenção, porque eles podem servir para dissuadir muitos outros de se unirem à organização.

Alguns deles disseram que ficaram fartos de matar muçulmanos sunitas, incluindo civis, e destacaram a incapacidade do Estado Islâmico de confrontar o regime sírio do presidente Bashar al-Assad.

"As vozes dos desertores são claras e firmes: 'o Estado Islâmico não está protegendo muçulmanos, está matando-os", afirma o documento.

"Os muçulmanos estão combatendo os muçulmanos. Assad está esquecido. A jihad está de cabeça para baixo", declarou um desertor alemão, identificado como Ebrahim B., que afirmava falar em nome de vinte jihadistas que viajaram à Síria e ficaram decepcionados.

Peter Neumann, diretor do Centro Internacional para o Estudo de Radicalização e Violência Política, e autor do documento, disse que suas descobertas danificam a imagem de unidade e determinação que o Estado Islâmico procura mostrar.

Os líderes do Estado Islâmico consideram inimigos os outros grupos jihadistas, incluindo a organização satélite da Al-Qaeda, Jabhat al-Nusra, e travam fortes batalhas contra eles.

Os desertores interrogados no documento são de 17 países, em muitos casos ocidentais. Muitos que tentaram abandonar antes deles foram executados por espiões e traidores, explicaram seus antigos colegas. /AFP e ASSOCIATED PRESS

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