EFE/Anistia Internacional
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Estudo aponta que mais pessoas têm aceitado tortura como forma de obter informações

Segundo Cruz Vermelha, apenas 48% dos entrevistados disseram que torturar um preso durante um conflito é errado

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2016 | 12h09

GENEBRA - O número de pessoas que dizem aceitar a tortura como forma de obter informações de prisioneiros em um conflito vem aumentando. O alerta foi lançado nesta segunda-feira, 5, pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha que, em um estudo realizado em 16 países, indica que a tolerância à tortura é maior em países distantes de conflitos.  

A pesquisa feita com 17 mil pessoas tinha como objetivo avaliar a opinião popular para identificar se a ideia de que até uma guerra deve ter limites é compartilhada. Cerca de 80% dos entrevistados afirmaram estar de acordo com a ideia de que combatentes devam fazer todos os esforços para evitar que os civis sejam atingidos em um conflito e que atacar hospitais ou ambulâncias é errado.

Mas 36% dos entrevistados indicaram que combatentes capturados podem ser torturados para revelar informações militares. Apenas 48% afirmaram que tal prática é errada, com o restante optando por não dar uma resposta. Em um estudo similar realizado em 1999, 66% pessoas consideravam a tortura um crime, mesmo nessa situação.

Nos EUA, onde o presidente eleito Donald Trump chegou a defender certos métodos de tortura, 46% da população afirmou ser legítimo torturar um prisioneiro para obter informações militares, enquanto apenas 30% disse que isso seria errado.

Em Israel, a proporção daqueles que aprovam as práticas chega a 50%, contra 25% que rejeita a tortura mesmo como forma de obter inteligência militar. Já na Síria, país que vive uma guerra há cinco anos, apenas 20% da população apoia a tortura de prisioneiros, contra 15% na Colômbia e 18% no Sudão do Sul.

“Os resultados mostram que precisamos voltar a estabelecer limites. A tortura é proibida em qualquer circunstância”, disse o presidente do CICV, Peter Maurer. “Demonizamos nossos inimigos, mas mesmo em uma guerra, todos merecem ser tratados de forma humana”, defendeu. “Usar a tortura apenas aumenta a violência e tem um impacto devastador por gerações.”

A pesquisa concluiu que, quanto mais próximo se está de um conflito, mais humanas são as respostas. Contudo, entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (França, Reino Unido, EUA, Rússia e China), um maior número de pessoas estaria resignada com as mortes entre civis.

Em países que enfrentam guerras, 78% da população afirmou que é errado atacar beligerantes em áreas densamente habitadas. Para as grandes potências, apenas metade diz que isso seria errado. “Confrontados com imagens da guerra, não podemos perder nossa empatia e ficarmos insensíveis ao sofrimento humano”, alegou Maurer.

“A eficiência e relevância das leis da guerra estão sendo questionadas mais do que nunca na história recente”, afirmou. Ainda assim, segundo ele, existe um apoio grande das populações no mundo por regras que estabeleçam limites aos confrontos e ao que partes beligerantes podem ou não fazer”, completou.

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