Estudo denuncia abusos de agentes humanitários e soldados da ONU

Agentes humanitários e forças de pazsão responsáveis habituais por abusos sexuais contra menores, ea proteção aos jovens necessitados é inadequada, segundo umestudo publicado na terça-feira pela entidade Save the ChildrenUK. O relatório diz que a incidência dos abusos ésignificativa, ainda que muitos casos sejam ignorados.Denúncias nesse sentido vêm crescendo nos últimos anos, e a ONUestá investigando supostas violações cometidas por seussoldados em lugares como Haiti, Libéria, Costa do Marfim eRepública Democrática do Congo. O texto diz que a ONU e algumas ONGs estão se empenhandocontra o problema, mas que deveria haver uma entidade globalmonitorando a situação. A Save the Children baseou suas conclusões em visitasfeitas no ano passado ao Haiti, ao sul do Sudão e à Costa doMarfim. Foram realizadas 38 sessões de discussões com 250menores e 90 adultos, além de entrevistas e pesquisas deestatísticas. As agressões variam de xingamentos de conotação sexual atépornografia infantil, tráfico de crianças e escravidão sexual.Em alguns casos, a vítima tem apenas 6 anos, embora a faixaetária mais comum seja 14-15 anos. Em 20 dos 38 grupos de discussão, os soldados da ONU foramidentificados com os agressores mais prováveis, embora nos trêspaíses um total de 23 forças de paz, ONGs e organizaçõeshumanitárias tenham sido relacionadas ao problema.Mais de metade dos participantes do estudo citaram incidentesde abuso de meninas ou sexo forçado. Desses, cerca de 40 porcento se lembram de pelo menos 10 incidentes. "Eles nos pedem especificamente meninas da nossa idade",disse um garoto da Costa do Marfim que trabalha num quartel daforça de paz da ONU. "Às vezes são entre 8 e 10 homens que vãodividir duas ou três meninas. Quando eu sugiro uma menina maisvelha, eles dizem que querem uma menina mais jovem." O relatório diz que "há uma clara disparidade entre osbaixos níveis de abusos citados nessas estatísticas e os altoníveis sugeridos pelas investigações de campo e pelas outrasprovas". O medo de perder a ajuda recebida ou de sofrer represáliase a falta de amparo jurídico estão entre os principais motivospara a resignação das vítimas. Um funcionário humanitário daCosta do Marfim citado no relatório disse que "muitas agênciasda ONU e ONGs se sentem intocáveis".

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