AP Photo/Desmond Boylan
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Estudo indica alteração nos cérebros dos diplomatas americanos em Cuba

Entre o fim de 2016 e maio de 2018, funcionários enviados a Havana sofreram vários males atribuídos a possíveis ataques acústicos

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2019 | 23h06

WASHINGTON - Os cérebros de cerca de 40 diplomatas americanos vítimas de fenômenos misteriosos em Cuba mostram diferenças em relação aos de um grupo de controle, afirmaram nesta terça-feira (23) pesquisadores que analisaram seus casos a pedido de Washington.

O estudo, publicado no Journal of the American Medical Association (Jama) e dirigido por professores da Universidade da Pensilvânia, não chega a conclusões definitivas sobre o que provocou os sintomas nos diplomatas entre o fim de 2016 e maio de 2018. 

Mas os pesquisadores confirmam que "algo aconteceu com os cérebros dessas pessoas", explicou à AFP Ragini Verma, professora de radiologia da Universidade da Pensilvânia e coautora do estudo.

"Tudo que posso dizer é que existe uma verdade a ser descoberta", explicou Verma, que acrescentou: "Qualquer coisa que tenha acontecido não foi em razão de uma doença preexistente, analisamos isso."

O governo cubano rejeitou as conclusões do estudo, alegando falta de "conclusões científicas claras". 

Entre o fim de 2016 e maio de 2018, diplomatas enviados por Washington a Havana e seus parentes sofreram vários males, como falta de equilíbrio e coordenação, tontura, assim como ansiedade, irritabilidade e o que as vítimas chamaram de "névoa cognitiva".

Os Estados Unidos enviaram de volta para casa a maioria de seu pessoal diplomata destinado a Havana em setembro de 2017. Alguns deles estão curados e voltaram a trabalhar, enquanto outros estão em reabilitação, segundo Verma.

Washington não deu explicações públicas sobre o fenômeno, não confirmou nem desmentiu se este foi causado por um ataque com algum tipo de arma acústica, como veículos americanos disseram sem apresentar provas. 

Cuba sempre negou qualquer responsabilidade no caso, que também afetou 14 diplomatas canadenses. Ottawa repatriou em janeiro deste ano a maioria de seu pessoal destinado à ilha.

A pedido do Departamento de Estado americano, o centro de traumatismos cerebrais da Universidade da Pensilvânia examinou 44 diplomatas e vários de seus familiares desde a metade de 2017 por meio de ressonâncias magnéticas. 

Os pesquisadores compararam os resultados com os de 48 pessoas de dois grupos de controle. As diferenças encontradas são estatisticamente significativas na substância branca do cérebro, assim como no cerebelo, responsável por controlar os movimentos.

Verma insistiu na importância de acompanhar os diplomatas e seus familiares para controlar a evolução das mudanças em seus cérebros. / AFP

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